sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Escolas estaduais são homenageadas em seminário de gestão educacional



Celebrando os bons resultados das escolas estaduais, a Secretaria de Educação do RN realizou, na noite de ontem (6), o II Seminário Destaque Gestão Educacional - Prêmio Gestão Escolar 2018. Dentro da programação do segundo dia da Jornada Pedagógica 2019, o evento reuniu professores, gestores, coordenadores e técnicos da SEEC e contou com a entrega de certificados de reconhecimento. A premiação ocorreu no auditório do hotel Holiday Inn, em Natal. 

A secretária de Educação do RN, Cláudia Santa Rosa, abriu o evento destacando que somente a participação da comunidade na escola permite o êxito pedagógico. “A escola que alcança o lugar de destaque conta com uma equipe engajada, uma liderança comprometida e pais presentes no cotidiano da educação do seu filho. Quando reúne essas características acontece o que estamos celebrando neste prêmio: a consagração de bons projetos pedagógicos”, declarou Santa Rosa.

No total, foram premiadas 66 escolas estaduais. Com projetos que iam de feira de ciências biológicas ao debate de valores ligados a cidadania, cada instituição teve um objetivo único: melhorar a aprendizagem dos estudantes. “Percebemos que nossos alunos se tornaram mais críticos e seguros na arte de escrever. Saber que contribuímos de forma efetiva para a jornada deles é algo incrível”, explicou Alona Faria, professora de língua portuguesa da escola estadual Manoel de Melo Montenegro, instituição premiada como destaque por desenvolver projeto de preparação para escrita da redação do Exame Nacional do Ensino Médio. 

A cerimônia de premiação também foi prestigiada pelos diretores das regionais de ensino. Dinamérico Augusto, responsável pela regional de Santa Cruz, elogiou a iniciativa de premiar as escolas. “Devemos sempre reconhece o bom trabalho que uma instituição realiza. O prêmio mostra que atitudes que os gestores tomam nas escolas, em prol do ensino dos alunos, pode tornar-se uma referência para as demais unidades. É um momento de grande festa, onde nossas escolas são as protagonistas”, explicou. 

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Avaliação medirá proficiência em língua portuguesa e matemática de alunos potiguares



Na próxima quinta-feira (22), a Secretaria de Estado da Educação e da Cultura (SEEC) vai realizar a 3ª edição o RN Aprende, avaliação que mede o desempenho dos alunos da rede estadual de ensino nas disciplinas de língua portuguesa e matemática. As provas serão aplicadas em 551 escolas, com cerca de 50 mil alunos do ensino fundamental e médio de toda a rede estadual de ensino. 

“A realização desta avaliação é fundamental para o diagnóstico dos níveis de proficiência dos estudantes em Língua Portuguesa e Matemática, além de avaliar as condições de oferta do ensino nas escolas da rede estadual para subsidiar o planejamento estratégico/pedagógico da escola e a formulação e melhoria das políticas públicas para a educação do estado”, disse, a Secretária Adjunta de Educação, Mônica Guimarães.

As provas serão aplicadas para turmas do ensino regular, 5º e 9º anos do Ensino Fundamental e 3ª ou 4ª séries do Ensino Médio e os estudantes deverão realizar as provas na escola e no turno em que estão matriculados.

A edição 2017 da prova registrou a superação do índice de proficiência dos estudantes, que era de 2.90 e chegou a 2.96, nas provas do sistema de avaliação. “A Educação do RN está numa curva ascendente, alcançando marcas bastante positivas”, pontuou a secretária Adjunta, Mônica Guimarães.

Os resultados obtidos alimentarão o Sistema Integrado de Monitoramento e Avaliação Institucional (SIMAIS), plataforma criada pela SEEC, em 2016, que tem por objetivo aferir, com maior precisão, a qualidade do ensino ofertado pela rede estadual de ensino. 

Premiação

As escolas e regionais que conseguirem mobilizar os estudantes para realizarem a avaliação com expressiva participação, ganharão prêmio, com 44 Smart TVs de 50 polegadas, sendo 04 para as regionais e 40 para as escolas.

Para concorrerem, as escolas precisam apresentar as taxas de participação superiores a 80% e as regionais, taxa de participação superior a 70%- desde que mais da metade de suas escolas obtenham taxa de participação superior a 80%.

Avaliação  

A prova contém questões de Língua Portuguesa e Matemática e um questionário, que ajudarão a conhecer melhor a trajetória escolar e as condições de vida dos estudantes, a trajetória profissional e as condições de trabalho dos docentes e gestores, assim como a realidade da escola e as condições da oferta do ensino da rede estadual. Os estudantes terão o tempo de 2 horas e 30 minutos para concluir. 

A equipe de aplicação é composta pelo coordenador regional, que é responsável por liderar e apoiar o trabalho do Coordenador de Polo, que por sua vez, é responsável pela logística, capacitação e acompanhamento da aplicação dentro das regionais. O Coordenador de escola é responsável pela organização da aplicação e capacitação dos aplicadores e o aplicador pela aplicação dos testes e questionários, que serão os próprios professores da escola, desde que atuem em turnos diferentes.

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Sociólogo e gestor da Educação defende mudanças na reforma governista do ensino médio

Domingos defende mudanças na reforma do ensino médio
O professor e sociólogo Domingos Sávio Oliveira, atual secretário da Educação de Macaíba, município da região metropolitana de Natal, defende que a Base Nacional Curricular (BNCC), que na quinta-feira (2) foi discutida em mais de 28 mil escolas públicas e particulares do país, envolvendo mais de 509 mil professores, precisa antes de tudo superar os gargalos criados pela Lei 13.415/2017, que instituiu a chamada “reforma do ensino médio”. “Tenho a certeza, assim como a maioria dos educadores brasileiros, que as discussões da BNCC são indissociáveis da reforma do ensino médio”, afirma.

Domingos Sávio questiona a falta de diálogo para a instituição dessa lei que também cancelou a proposta para a BNCC do ensino médio. Essa lei, editada por medida provisória, isto é, sem uma maior discussão com a sociedade e com a comunidade educacional, diz Domingos, criou um verdadeiro retrocesso educacional no Brasil.

“A reforma do ensino médio possui um grave erro de origem. Editada por medida provisória, sem participação da sociedade, a proposta do governo tentou acabar com as disciplinas de Filosofia, Artes, Educação Física e Sociologia. Além disso, não fixou os conteúdos obrigatórios mínimos que deveriam ser ofertados a todos os estudantes como dever do Estado, transferindo para as redes a oferta dos itinerários formativos”, ressalta.

Diante da intempestiva ação do governo impondo uma “reforma do ensino médio” sem uma efetiva consulta popular e a comunidade escolar, aconteceu intensa mobilização de estudantes e fortes questionamentos da parte dos professores. A mobilização teve efeitos positivos junto ao Congresso Nacional e garantiu o que podemos chamar de uma vitória parcial (na qual ainda se coloca em dúvida as disciplinas de Educação Física, Artes, Filosofia e Sociologia no Ensino Médio), diz Domingos Sávio, ensejando aspectos como a flexibilização do currículo e a abertura de espaços para a educação profissional.

O sociólogo e educador Domingos Sávio, contudo, observa vários problemas ainda perdurando, mesmo com a flexibilização das discussões, para que venha a existir um ensino médio público de qualidade. “A abertura de espaço para que até 40% da grade curricular do ensino médio possa ser oferecido na modalidade à distância, o que esvaziaria o ambiente escolar, permite ainda que mais recursos públicos venham a ser compartilhados por instituições privadas, o que representa um enorme retrocesso diante das carências de verbas e de investimentos nas escolas públicas brasileiras. Acrescente-se isso o fato de a reforma não cobrar qualquer controle de qualidade às escolas privadas”, ressalta Domingos.

O experiente gestor de Educação chama a atenção também para o fato de a “reforma do ensino médio”, tal como foi colocada pelo governo, permitir que profissionais com notório saber, e não licenciados, possam ministrar aulas nas escolas públicas. “(Isso) desqualifica uma luta secular pela valorização da carreira docente”, afirma.

“O desmonte imposto pela “reforma” reduz as disciplinas obrigatórias no ensino médio a Português e Matemática, reduzindo a carga horária obrigatória curricular de 2,4 mil horas para 1,8 mil horas, reduzindo consequentemente os direitos a aprendizagem ao que couber nessas 1,8 mil horas”, lembra Domingos Sávio.

Essas iniciativas governamentais fazem com que nos encontremos na contramão do modelo de excelência do ensino médio e do recente esforço do Estado brasileiro na implementação da educação em tempo integral, aponta Domingos. “A escola é e sempre será um ambiente do conhecimento, do convívio com a diversidade, da cultura e da formação. A escola deve preparar para a vida em um sentido amplo, familiar, social e profissional. Nesse sentido, os alunos do ensino médio devem aumentar suas convivências no ambiente escolar, e não o contrário”, enfatiza o sociólogo e gestor da Educação.

Domingos Sávio observa que todos os problemas existentes na reforma do ensino médio também estão na BNCC (do ensino médio) que foi completamente alterada pelo Ministério da Educação e encaminhada ao Conselho Nacional de Educação em abril deste ano, sem que existisse qualquer consulta popular. “Assim como na Lei, com exceção de Português e de Matemática, a proposta da BNCC abandona completamente as demais disciplinas, não deixando claro o que deve ser garantido como direito de aprendizagem em áreas como: Química, Física, História e Geografia, por exemplo”, estranha o educador.

“A BNCC que foi encaminhada também não apresenta os conteúdos mínimos que devem ser assegurados nas matérias optativas, que serão ministradas de acordo com a escolha do aluno, nas seguintes áreas do conhecimento: Linguagens e suas tecnologias; Matemática e suas tecnologias; Ciências da Natureza e suas tecnologias; Ciências Humanas e Sociais Aplicadas; e formação técnica e profissional”, acrescenta Domingos Sávio.

Para o sociólogo, sendo mantida a estrutura de ensino médio da BNCC encaminhada, mesmo apresentando sérias deficiências, ela deve contemplar tanto a parte comum (núcleo formado por Matemática e Português), quanto os itinerários formativos que compõem a parte diversificada.

A proposta inicial, lembra Domingos Sávio Oliveira, tinha a presença de uma Comissão Nacional Coordenadora que acompanharia e definiria os parâmetros comuns para a implantação do novo currículo, incluindo os itinerários formativos optativos, fazendo os ajustes necessários. A atual, colocada em cena a toque de caixa pelo governo, estabelece que esse acompanhamento e definições a serem realizadas sejam tarefas exclusivas das redes, sem mediação e monitoramento. “Isso pode levar a distorções e desequilíbrios no interior das redes ou entre elas, e também com relação as escolas”, alerta o gestor da Educação e sociólogo.

“A reforma do ensino médio precisa garantir o verdadeiro direito de aprendizagem para todos e uma efetiva participação da comunidade educacional, acadêmica e científica, não de arremedos de reformas que o único objetivo é submeter a educação brasileira aos ajustes do mercado. Precisamos de mais discussões, mais debates e mais negociação”, completa o sociólogo e secretário da Educação de Macaíba, Domingos Sávio Oliveira.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Professor francês fala nos 40 anos do Programa de Pós-graduação em Educação da UFRN sobre História Pública

Chartier na UFRN e capa de uma obra de sua autoria 
O Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) prossegue comemoração de seus 40 anos com aula inaugural do semestre do professor francês Roger Chartier. A aula de Roger Chartier teve como tema "História Pública e Democracia: o passado no presente" e aconteceu no auditório da Reitoria, no Campus Central da UFRN, em Natal, na manhã dessa quarta-feira (1º).

O evento que despertou a atenção de docentes e alunos dos cursos de graduação e pós-graduação do Centro de Educação da UFRN também faz parte da programação dos 60 anos da própria universidade.

Roger Chartier é historiador e pesquisa sobre a História do livro e da leitura.É Professor na Escola de Altos estudos em Ciências Sociais em Paris, França, e na Universidade de Pennsylvania, Estados Unidos.

Entre seus livros publicados no Brasil estão "A história cultural entre práticas e representações"; "A ordem dos livros. Cultura escrita, Literatura e História"; "Os desafios da escrita"; "Inscrever e Apagar"; "A aventura do livro: do leitor ao navegador".

domingo, 8 de julho de 2018

Inversão Sísmica: Professor da Inglaterra ministra curso na UFRN neste mês de julho

Professor Yanghua Wang
O professor Yanghua Wang ministra curso sobre Inversão Sísmica na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) durante este mês de julho, com início nesta segunda-feira (9), às 14 horas, no Auditório do Departamento de Física Teórica e Exprimental, no Campus Central, em Natal.

Yanghua Wang é diretor do Centro de Geofísica de Reservatórios de Petróleo no Imperial College de Londres, Inglaterra. O tema de seu curso, o Método da Inversão Sísmica, tem o objetivo de reconstruir um modelo de estruturas existentes abaixo da superfície da Terra a partir de medições sísmicas. 

É um modelo que se faz representar quantitativamente por propriedades físicas que variam espacialmente, e é extraído dos dados sísmicos pela solução de um problema inverso. O curso de Yanghua Wang busca introduzir a teoria básica e as soluções de problemas inversos sempre em correspondência com os detalhes práticos relacionados com a inversão sísmica.

O curso acontece no horário de 14h às 18h de segunda a sexta-feira no Auditório do Departamento de Física Teórica e Experimental da UFRN.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Macaíba avança para ter sua primeira escola indígena

Domingos Sávio fala em debate sobre escola indígena
(Foto: José Luiz)
Por José Luiz

Os índios Tapuia da comunidade do Tapará, em Macaíba, caminham a passos largos para terem em seu território a primeira escola pública indígena do município. As ações que estão sendo desenvolvidas tem à frente, pelo âmbito da Prefeitura de Macaíba, o secretário da Educação, sociólogo Domingos Sávio, e buscam avançar com qualidade social na política pública de resgate e valorização das tradições e da cultura dos índios, que são verdadeiramente ancestrais da terra, mas também são cidadãos brasileiros e macaibenses dos tempos atuais.

A comunidade indígina de Tapará, já reconhecida pela Funai (Fundação Nacional do índio), encaminha agora junto a municipalidade macaibense lutas antigas por seus direitos básicos à saúde e a educação. O acesso a uma unidade de ensino diferenciada, intercultural, bilíngue/multilíngue e comunitária, é um direito dos povos nativos amparado pela Constituição Federal, LDB, Lei 11.645/2008 e pelo Decreto n. 26/1991.

Na comunidade do Tapará o ensino indígena ocorrerá, inicialmente, na Escola Municipal Luis Cúrcio Marinho, que ainda é uma unidade de ensino regular de Macaíba. Segundo o secretário Domingos Sávio, a transformação deste estabelecimento em escola indígena teve início há pouco tempo porque o município não tinha sistema de ensino próprio. “Com a criação do Sistema de Ensino de Macaíba, a Coordenação da Educação de Jovens e Adultos, EJA, recebeu a atribuição de coordenar também a Educação Escolar Indígena, a Quilombola e a Diversidade”, explica o secretário.

Para o sociólogo Domingos Sávio, está se avançando, poder público municipal e comunidade indígena, em busca de uma escola que oportunize o saber formal e universal da edução com a interação com os costumes e o saber próprio da cultura de raiz de nossos ancestrais.

Domingos explica que há duas modificações a serem feitas: a burocrática e a pedagógica. A documentação necessária à transição para a escola indígena deverá ser entregue ao Conselho Municipal de Educação até o final deste ano para análise e deliberação. A constituição de currículo específico indígena será feita com a participação da comunidade do Tapará. Serão realizadas audiências públicas com essa finalidade. O secretário tranquiliza os estudantes em relação aos conteúdos da Base Curricular Nacional. “Os conteúdos necessários à formação para os exames federais serão mantidos no contra turno, a escola funcionará em tempo integral”, reforça.

As adequações da secretaria de educação do município devem demorar menos de um ano para serem concluídas. A expectativa é que a implantação ocorra até o início de 2019. Segundo informou o Cacique Luis Catu, o processo de criação da escola indígena da sua aldeia em Canguaretama, demorou mais de 8 anos para ser concluído. Em Macaíba, os vereadores já reconhecem a relevância da causa e já há até proposta de modificar o nome da escola para um nome indígena indicado pelo povo Tapuia.

A equipe técnica, que está à frente do trabalho de avançar para a primeira escola indígena de Macaíba, é liderada pelo professor Rogério Ferreira, está buscando capacitação para dar conta dessa demanda, que não deixa de ser histórica, e tem participado de diversas qualificações e debates, marcando presença inclusive no Encontro Nacional para implementação da Educação Indígena, em Fortaleza.

O secretário Domingos Sávio destaca também a importância da parceria com o Instituto Federal de Canguaretama, que foi essencial para a criação da primeira escola indígena naquele município e que vem orientando os técnicos da Secretaria de educação de Macaíba. Por outro lado, Já foram iniciados os debates sobre a Escola em audiência pública na Câmara Municipal com participação de representantes da comunidade e do movimento indígena do Rio grande do norte.

Concurso público

O secretário de educação informou em primeira mão que o próximo concurso público a ser realizado no município já incluirá vagas específicas para professores indígenas visando suprir a demanda de Tapará.

A palavra do nativo
O índio Tapuia Jerônimo Campelo mostra com orgulho os utensílios do artesanato indígena utilizados em suas manifestações culturais. Josué Jerônimo é filho de dona Benedita, artesã, uma das índias mais idosas do povo Tapuia na comunidade Tapará, em Macaíba.

Ele é funcionário de uma escola federal, mas dedica parte do seu tempo livre a dar oficinas para resgatar e aprofundar os saberes do povo indígena. Falante e desinibido, acolhe a reportagem com simpatia em sua barraca na Feira Indígena do Tapará, onde expôs a importância da educação escolar indígena para o movimento que autodeclara e reafirma o povo do Tapará como índios Tapuia. Ele nos conta com tristeza, e sua mãe reforça os detalhes, que as terras do Tapará, bem como a comunidade vizinha, Lagoa do Mato, pertenciam ao povo Tapuia e que os latifundiários vindos de fora estão desmatando e plantando capim. Perseguidos, os índios foram se espalhando e hoje o movimento indígena tenta restaurar os costumes e tradições e unir o povo em defesa de sua ancestralidade. Para Jerônimo, a implantação da educação escolar indígena é essencial para formar as novas gerações e evitar que a cultura Tapuia se perca. “É também muito importante que o ensino seja feito por pessoas da comunidade, que leve em conta a cultura, os costumes e as particularidades da comunidade”, complementa.

Educação física indígena

A recreação e prática esportiva em unidades de ensino dentro de aldeias seguem rituais próprios, e os Tapuia tem sua contribuição a dar para o ensino da educação física. Além de praticarem a “corroveara” - Corrida da tora, esporte indígena em que correm com um pedaço de tronco de carnaúba (tora) no ombro, os Tapuia também jogam peteca, jogo genuinamente indígena e brasileiro que originou o esporte olímpico badmínton. O índio Jurandir Santos da Silva, ou Jurandir Tapuia, por sua vez, revela gostar também de futebol e futsal. “Há quatro anos fundamos o time dos índios Tapuia e já participamos do campeonato de Macaíba”, afirma orgulhoso exibindo a camisa oficial da equipe e o primeiro troféu conquistado em torneio neste ano.

Mães indígenas

A mãe Adriana da Silva afirmou não se opor em nada. “Nós somos Tapuia, acho interessante que as crianças aprendam a língua indígena. E é muito bom que a escola seja integral porque mantém os nossos jovens na escola o dia todo”. Algumas mães de alunos da escola Luís Cúrcio Marinho que ainda não se declaram indígenas afirmam que não estão informadas de todo o processo, mas esperam que os conteúdos necessários para os exames das escolas federais sejam mantidos.

Movimento indígena do RN

José Luiz Soares, ou Cacique Potiguara Luiz Catu, é líder do Movimento indígena do RN e esteve na audiência pública na Câmara de vereadores de Macaíba. Ele declara que esta luta por educação escolar indígena no Tapará é parte de um movimento maior, que começa a se organizar ainda no ano 2000 entre os municípios de Goianinha e Canguaretama, na Aldeia Catu.

“A busca de políticas públicas para o povo indígena do RN intensificou-se em 2005 com a realização da primeira Audiência pública voltada para a questão indígena na Assembléia Legislativa do RN. Na ocasião apresentamos um abaixo-assinado com pontos estratégicos da nossa luta. Reivindicávamos que os governos federal, estaduais e municipais, além das universidades e demais instituições, reconhecessem os povos aldeados e as etnias existentes no RN. A partir dali tivemos várias conquistas, entre ela elas a implantação da primeira escola indígena do RN em nossa aldeia Catu e conseguimos trazer a Funai para o RN”, relembra Luís.

Atualmente o movimento indígena integra a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB e tem representantes nas principais organizações e entidades de defesa dos índios no país. No RN são realizadas assembleias a cada dois anos, nas quais os 9 povos indígenas têm a oportunidade de debater com todos os órgãos estaduais e municipais as políticas públicas para a saúde, a educação e o etnodesenvolvimento.

A Audiência Pública por Educação Escolar Indígena de Qualidade, realizada pela Câmara Municipal de Macaíba, no dia 08/05, foi a terceira no estado. A primeira aconteceu em Canguaretama e a segunda foi em João Câmara. Neste ano de 2018 várias audiências ainda serão realizadas com o mesmo objetivo. “A Educação Escolar Indígena de Qualidade é uma forma de mudar, de ter uma resistência maior. As escolas que atendem aos Curumins das nove aldeias precisam se adequar às necessidades de aprendizagem destas comunidades", conclui o Cacique Luis Catu.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Livro de grupo de pesquisa de Arquitetura da UFRN trata das Secas, da Natureza e do território

Grupo de Pesquisa História da Cidade, do Território e do Urbanismo (HCUrb), do Departamento de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), lança o livro "Contra as Secas: Técnica, Natureza e Território". O lançamento acontece nesta quinta-feira (7), às 16h30, no Centro de Convivência da UFRN, em Natal. O livro é fruto de mais de 10 anos de trabalho de um dos importantes eixos de pesquisa do HCUrb e cruza campos temáticos da história urbana, da arquitetura, do urbanismo e da problemática das secas no Brasil.

Capa do livro e convite para lançamento
A obra versa sobre o grande desafio de abordar "as pesquisas e discussões sobre os ciclos de modernização urbana desde fins do século XIX quanto para as que tratam da construção das chamadas questões nacionais e da Cultura Técnica moderna no país".

O Grupo de Pesquisa História da Cidade, do Território e do Urbanismo (HCUrb, Depto de Arquitetura, UFRN),a Cooperativa Cultural Universitária do RN e a Editora Letra Capital convidam V. Sa. para o lançamento do livro Contra as Secas: Técnica, Natureza e Território.

O livro marca o início das comemorações dos 20 anos de atividades do Grupo HCUrb, que tem a coordenação da professora Ângela Lúcia Ferreira, e vem construindo desde seu início vários estudos, reflexões e contribuições sobre a formação do território de Natal, do Rio Grande do Norte e do Nordeste. Nesse contexto, tem contribuído com a circulação e usos dos saberes técnicos da engenharia, arquitetura e urbanismo no Brasil, e produção material e simbólica de suas cidades, estruturas e paisagens.

O lançamento da obra tem também a parceria da Cooperativa Cultural Universitária do RN e da Editora Letra Capital.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Apodi: Estudantes de escola estadual resgatam a memória do povo

Estudantes buscam resgatar cultura do povo
A força das tradições do campo, o contato direto com a natureza, o rústico e o belo no Lajedo Soledade, o verde da Chapada, as crenças e as danças, os costumes de um povo que se mantém firme no presente buscando preservar seu passado, e já em preparação para seu futuro. Esse conjunto de fatores está mobilizando os estudantes da Escola Estadual Sebastião Gomes de Oliveira, localizada no rico e histórico município de Apodi, na região do Médio Oeste do Rio Grande do Norte.

A partir de coleta de relatos de antigos moradores da zona rural do município, envolvendo depoimentos, captação de imagens e contatos com objetos, notas e documentos que remontam ao tempo passado, os estudantes do 7º e 9º ano do Ensino Fundamental avançam no resgate de tradições e costumes culturais que marcaram a viva do povo de sua terra.

O objetivo do trabalho é montar o “Memorial da Gente” e a ação está se desenvolvendo no tradicional Distrito de Melancias, na zona rural do município. O projeto “Memorial da Gente – Resgate de memórias afetivas e preservação do patrimônio histórico” é também o finalista do Desafio Criativos da Escola.

O percorrer das comunidades em busca de dados de uma história que permanece viva, já que tem continuidade em nosso próprio dia-a-dia, os estudantes montaram e decoraram uma carroça típica da terra para, com ela, visitar as pessoas idosas da zona rural. Visita que tem como principal objetivo ouvir os idosos e receber (desfrutar) de suas lembranças. Com o teor dos depoimentos obtidos, os jovens alunos fazem o resgate dos acontecimentos particulares e marcantes que fizeram a história da comunidade. O resgate serve também para estabelecer vínculos com os idosos e para uma melhor compreensão do valor histórico de documentos antigos, objetos, coisas e móveis de um tempo que já passou, mas que continua se evidenciando no presente. Observando as “velhas-novas” informações, os estudantes estão percebendo a importância da preservação da cultura, da linguagem e das tradições locais na manutenção de uma entidade de caráter coletivo regional.

O compartilhamento das descobertas está sendo feito pelos jovens alunos por meio de um museu fotográfico itinerante e um outro museu que disponibiliza as imagens de forma virtual. Os estudantes também listaram expressões e palavras típicas da região através da criação de uma Dicionário de Verbetes e Palavras: “O Melanciês”.

O projeto, devidamente documentado e catalogado, foi apresentado pelos alunos à Câmara de Vereadores de Apodi, com o objetivo de conseguir sua preservação como patrimônio histórico do município. O “Memorial da Gente” continua vivo neste ano de 2018 e já organizou o Festival de Teatro e Danças Populares, que teve a promoção da 13ª Diretoria Regional de Educação (13ª Dired), órgão da Secretaria da Educação do RN, sediado em Apodi.

Desafio Criativos da Escola

A 4ª edição do projeto Desafio Criativos da Escola está com inscrições abertas e estudantes e educadores interessados têm até o dia 1º de outubro para enviarem suas ações. No ano de 2017, o projeto Desafio Criativos da Escola, do qual o “Memória da Gente” dos estudantes da Escola Estadual Sebastião Gomes de Oliveira foi finalista, recebeu 1492 projetos de todas as regiões do Brasil.

Instituto Alana

O projeto Desafio Criativos da Escola é uma iniciativa do Instituto Alana, organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua incentivando programas que busquem a garantia de condições para a vivência plena da infância. O Instituto foi criado em 1994 e é mantido pelos rendimentos de um fundo patrimonial desde 2013.

terça-feira, 24 de abril de 2018

São João do Sabugi: Projeto de Leitura em escola estadual movimenta a comunidade e dá protagonismo aos estudantes

Estudantes escutam orientações sobre o projeto
Projeto que reúne leitura e cidadania, desenvolvido pela Escola Estadual Senador José Bernardo, enseja protagonismo aos estudantes e movimenta a comunidade de São João do Sabugi, região Seridó do RN. O projeto pedagógico “Passaporte de Leitura para a Cidadania” já vem sendo executado pela Escola há três anos e agora em 2018 é dirigido as turmas de 3ª a 5ª séries do Ensino Fundamental.

A abertura do projeto este ano aconteceu na manhã da sexta-feira (20), durante as comemorações da “Semana do Livro Infantil”, com apresentação dirigida aos pais dos alunos. As atividades propriamente ditas serão iniciadas no mês de maio e a culminância acontecerá em setembro dentro da programação do “Setembro Cidadão” na cidade de São João do Sabugi.

A inovação este ano fica por conta da inclusão no projeto da “Cartilha Cidadania de A – Z”, desenvolvida pelo Programa Brasileiro de Educação Cidadã (Probec) em parceria com as famílias das crianças/estudantes. Na programação de atividades do projeto estão ações de letramento dentro de prática pedagógica dinâmica, incentivo à leitura de obras infantis que fazem parte do acervo da biblioteca da Escola e o trabalho de apoio para que o próprio aluno faça a intertextualidade com a “Cartilha Cidadania A – Z”. Um dos objetivos do projeto é transformar as aprendizagens e vivências em atitudes éticas e cidadãs com repercussão em toda a comunidade escolar.

“Esse projeto é nosso orgulho, não há satisfação maior para quem é professor ver os alunos avançando na leitura e na escrita, vê-los empolgados, ansiosos pelo dia em que levarão para casa o Passaporte de Leitura com um livro novo. É também uma oportunidade única para os familiares participarem desse momento de aprendizagem com as crianças”. Esta afirmação é da coordenadora pedagógica da Escola Estadual Senador José Bernardo, Deusilene da Silva Vigolvino.

Estudantes de atividade de encenação
O livro novo que as crianças levam para casa no Passaporte de Leitura é uma produção feita por elas mesmas. O livro contém os comentários sobre o que foram entendendo dos livros que leram durante o período do projeto. Os resumos feitos pelas crianças/estudantes são juntados em um livro devidamente organizado que é entregue a cada uma no final do projeto, na culminância que acontece no mês de setembro. Cada criança passa a ter seu próprio livro para levar para casa, mostrar a sua família, e utilizá-lo ao longo de sua trajetória escolar como lembrança e até como ferramenta de ensino-aprendizagem.

A coordenadora também destaca a importância do reforço da cartilha que está chegando para fortalecer o trabalho desenvolvido pelos educadores da “Senador José Bernardo”. “A cartilha é um excelente reforço didático”, reconhece Deusilene.

Dirigida pelo professor Valter Borma, a Escola Estadual Senador José Bernardo, localizada no centro de São João do Sabugi, conta com 404 alunos matriculados no Ensino Fundamental, Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA) do Ensino Médio, funcionando nos três turnos.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Intolerância: Professor da UFRN proíbe estudante de assistir à aula

A estudante discriminada e o professor Alípio
Repercute em todo o país o fato ocorrido em sala de aula do setor II da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), na aula do curso de Ciências Sociais, na noite da terça-feira (6). O profesor Alípio Sousa Filho, mestre e doutor em Ciências Sociais pela Universidade de Paris René Descartes, proibiu a estudante Waleska Maria Lopes de assistir à sua aula porque ela se fazia acompanhar de sua filha de cinco anos de idade. Segundo o veterano doutor, a criança trazia prejuízo a sua aula tirando o foco da própria Waleska e de outros estudantes.

Com o acontecido, o próprio curso de Ciências Sociais se encontra diante de um veemente contraditório, já que ele advoga o discurso de inclusivo. A estudante, proibida de assistir à aula da disciplina "Introdução à Sociologia" do mestre Alípio Sousa, relatou ter se sentido humilhada diante dos demais alunos. "Me senti muito mal. Minha filha perguntou se não podia assistir às minhas aulas. Se era por causa dela. É uma grande humilhação. A única família dela sou eu. Ela só tem a mim. Foi terrível", afirmou em entrevista ao site G1.

A estudante Waleska disse que o doutor em Ciências Sociais, Alípio Sousa, mandou que ela se retirasse da sala de aula lembrando de que não poderia mais assistir às suas aulas com a criança. Waleska Maria Lopes é natural do Rio de Janeiro e veio para o Rio Grande do Norte, município de Pau dos Ferros, no ano de 2008. No ano passado se mudou para Natal e, disposta a continuar nos estudos, fez o ENEM e conseguiu entrar para o curso de Ciências Sociais na UFRN. Trabalha durante o dia como atendente de telemarketing e deixa a filha numa escola nesse período. Divide o imóvel no qual mora com outras pessoas e cria a filha sozinha.

O que tem tudo para ser uma história de superação esbarrou na noite da terça-feira (6) em uma sala de aula de Sociologia da UFRN, tendo diante de si um professor despreparado para a situação que lhe exigia uma postura prudente e eficaz no ponto de vista do processo de ensino/aprendizagem, tanto para si, como para Waleska, para a criança lamentavelmente envolvida, como para os demais estudantes em sala de aula.

O doutor pela Universidade de Paris René Descartes (referência ao grande filósofo fundamental para a instauração do período da Modernidade), Alípio Sousa Filho, reconhece que proibiu a estudante de voltar para sua aula acompanhada da filha. "Uma criança de cinco anos, todo mundo sabe, é uma criança que fica inquieta. E a aluna tem que se ocupar com a filha. Se ocupa, porque fica vendo a criança levantar, a criança sentar. E, portanto, a criança fica chamando a atenção da aluna, o que faz com que ela não esteja atenta à aula. Além disso, chama a atenção dos demais alunos", se defendeu.

A fala grotesca

O discurso do doutor em Sociologia, Alípio Sousa, para a estudante na frente dos demais alunos foi gravado e mostra certa soberba do profissional de sala de aula. "Encontre uma rede de solidariedes para cuidar da criança. Não consegue essa rede de solidariedade? Repense sua vida. Não tem que estar fazendo Ciências Sociais, não tem que estar estudando na universidade. Você só faz isso se tiver condições. Agora não vai impor à instituição coisas que não são assimiladas pela instituição (...) 'ah, eu sou pobre, não tenho'. Problema seu, a universidade não tem problema com isso, se vire", afirmou com veemência o Alípio.

O "se vire" fala muito do elemento Alípio Sousa Filho, possivelmente ele passe daqui pra frente a ser lembrado pelo "se vire". Esse é o ponto de inflexão no qual o discurso não condiz com a prática, no qual estudar em grandes e famosas universidade não significa nada, mas apenas meio de ampliar a periculosidade do sujeito. O "se vire" é um argumento pernicioso e boçal que impõe distanciamento e diferenças.

Em fala, distribuída pelos alunos, Alipio Sousa Filho também se regozija de sua condição de professor universitário detentor de alto salário (bancado pelo contribuinte) para os padrões do Rio Grande do Norte. ''A palavra aqui é estudar, discutir comigo as ideias, aprender comigo. Vocês estão em uma universidade pública, não pagam um centavo para estar aqui. Vocês têm professores com salários caríssimos, meu salário é de R$ 20 mil. Um professor que entra agora ganha R$ 10 mil. Ar condicionado, WIFI, luz, restaurante, biblioteca. Vocês são caros. Aí você vem desenhar na universidade, na sala de aula, e achar que, como aluno, pode impor o modo de ser das coisas? Na sala de outro! Na minha não'', afirmou.

O discurso esnobe de Alípio também coloca em xeque a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, já que pode se tratar de uma visão compartilhada por outros professores. A UFRN, é bom que se diga, não é de Alípio (que é um simples empregado do povo como todos os outros professores que ali se encontram), não é pertencente com exclusividade a nenhum professor, e até que se prove o contrário (desafio que Alípio devia enfrentar), é uma propriedade do povo brasileiro localizada no Rio Grande do Norte.   

sexta-feira, 2 de março de 2018

Educadora analisa livro Programa Exame de Admissão

Maria das Graças Baracho e o livro
Pauta: Tadeu Oliveira

Matemática, Português, História e Geografia eram de fato os protagonistas do famoso livro "Programa de Exame de Admissão" que marcou a vida de milhões de brasileiros por décadas. Embora já parte de um passado que não tem como retornar, o livro é observado como consistente naquilo que se propunha a ser - um conjunto de conteúdos fundamentais para o exercício da prática ensino/aprendizagem nas escolas brasileiras envolvendo alunos e professores no período de transição entre o primário (hoje, primeiras séries do Fundamental) e o ginásio (hoje, últimas séries do Fundamental).

A educadora Maria das Graças Baracho analisa o livro sob os aspectos do tempo no qual foi feito e do lugar no qual se inseriu. "O lugar e o tempo da produção de um livro são fundamentais para a compreensão do seu conteúdo",diz. No caso, não se considera uma análise do livro enquanto conteúdos apresentados, mas de sua proposta pedagógica.

"Esse livro, em sua 16ª edição, se constituía à época, num manual de orientação para todos os alunos que concluíam a quarta série do ensino primário, o que corresponde hoje as quatro primeiras séries do ensino fundamental, e para ter acesso a 5ª série, necessitava se submeter ao chamado Exame de Admissão", conta Graças Baracho.

O livro trazia todos os conteúdos necessários e exigidos para o exame e na sua composição abrangia conteúdos de português, matemática, história e geografia. A primeira edição ocorreu em 1959, com o título de “Programa de Admissão”, textos organizados pelos professores Aroldo de Azedo, Joaquim Silva, José A. Penteado, Domingo Paschoal Cegalla e Oswaldo Sanglorgi e outros. Antes existia outro livro com nome semelhante e escrito também por renomados professores, editado pelo Editora Brasil S/A no ano de 1943, com mais de 550 edições.

Para a época e de acordo com o objetivo ao que o livro se propunha, que era o de preparar para a série seguinte, no caso, a 5ª série e última do ensino primário, ele representava o que se tinha de mais avançado na década de 1960. Diante da escassez de material didático nas escolas, o livro era um instrumento suficiente para se ser aprovado, desde que o candidato tivesse o seu total domínio. Além dos conteúdos propostos no livro eram acrescidos exercícios de fixação a serem copiados em cadernos e respondidos como forma de testar os conhecimentos de cada candidato.
Livro utilizado para estudar e lecionar

"Fui uma das estudantes que utilizou o livro para estudar para o exame de admissão, como também para lecionar nos anos de 1970 na 4ª série do 1º grau (hoje ensino fundamental) no Colégio Sagrada Família. Esse livro ofereceu muitos subsídios no planejamento de aulas, principalmente nos conteúdos relativos a língua portuguesa e a matemática", relata Graças Baracho, professora com doutorado em Educação.

"Na década de 1980, esse livro ainda era presença em minha casa, pois se constituía numa das fontes de pesquisa dos meus filhos, estudantes das 3ª e 4ª séries do 1º graus. Apesar do livro favorecer a ampliação dos conhecimentos, não podemos deixar de reconhecer que o exame de admissão era uma estratégia de seletividade da população jovem, pois não sendo aprovado no exame, o aluno não tinha direito de dar continuidade aos estudos para cursar a 5ª série e último ano do antigo ensino primário", completa Maria das Graças Baracho.

Cartilha Caminho Suave

Na terça-feira, 27 de fevereiro, se comemorou (se é que se tem algo a comemorar) o Dia do Livro Didático. Nesse contexto vale a pena lembrar da famosa cartilha Caminho Suave, atualmente publicada pela Edipro. Criada em 1948, por Branca Alves de Lima (1911-2001), educadora brasileira, a cartilha foi utilizada como livro oficial pelo governo federal para alfabetização durante quase cinquenta anos, alcançando uma marca de mais de 40 milhões de exemplares vendidos e 132 edições.

A autora formou-se na Escola Normal do Braz (atual Escola Estadual Padre Anchieta), São Paulo, em 1929, e lecionou por quinze anos. Ela desenvolveu a Caminho Suave baseada em sua experiência com os alunos em classe, e depois veio a fundar a própria editora. A intenção da publicação era extinguir o analfabetismo no Brasil. Não conseguiu, obviamente. O analfabetismo é algo intrínsico ao próprio modo de encarar a vida do brasileiro.

Com esse propósito de extrema ambição (extinguir o analfabetismo no Brasil a partir de uma cartilha), o projeto partiu para utilizar ilustrações que se assemelham às letras, e foi nomeado pela própria Branca como “Alfabetização pela Imagem”, assim o aluno faria a associação por imagens e palavras-chave. Os discentes automaticamente vinculavam a letra com a imagem, como exemplo, o rabo de um cachorro era desenhado a partir da letra “c”, ou mesmo, a alça da jarra a partir da letra “j”.

O sucesso do método fácil fez com que esta cartilha obtivesse a classificação de multifuncional, alfabetizando crianças, jovens e idosos. E é usada por estrangeiros em programa de alfabetização solidária.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Professora potiguar lança livro em Londres, Inglaterra

Professora Dorinha vai à Londres pela Literatura
Por Aline Braga

Há 33 anos convivendo em ambientes escolares, a professora Maria das Dores da Silva, ou apenas Dorinha, como prefere ser chamada, começou a se aventurar no mundo da literatura desde cedo. Ainda criança, apaixonou-se pelos livros e hoje chama a si mesma de contadora de histórias. Responsável pela biblioteca da Escola Estadual Josino Macedo, Dorinha, de 53 anos, escreve contos há mais de 22. Um deles agora a levará para outro continente.

Em novembro de 2017, enquanto recebia o prêmio “Melhores Contistas 2017”, no “Festival de Contos” realizado pela Literarte – Associação Internacional de Escritores e Artistas, Dorinha recebeu um convite para incluir um de seus contos no livro “Almanaque da Fauna Brasileira para Crianças”, que será lançado ainda este ano. A professora enviou o conto “O Jumento Brasileiro” e a história foi aceita. “Eles me convidaram para inscrever o conto, eu enviei e foi selecionado. Fiquei muito feliz”, fala Dorinha.

O livro será publicado em dois idiomas, o inglês e o português, e será direcionado para crianças de até 10 anos que estudem em escolas de língua portuguesa em Londres, na Inglaterra. O lançamento vai acontecer em duas cidades: na própria Londres, onde o evento contará com a participação das crianças para quem o livro é direcionado, e na cidade de Viana do Castelo, em Portugal.

“Sabemos da importância do trabalho de Dorinha como contadora de histórias, por compartilhar do pensamento de que o hábito pela leitura na infância geralmente tem por traz um contador, leitor do mundo e da palavra, capaz de levar a criança a ingressar no alucinante mundo de narrativas e que levam o livro e a literatura como entrada para o mundo também da leitura e da escrita", declarou a professora Lúcia Palhano, coordenadora de desenvolvimento escolar da SEEC.

Durante a solenidade de lançamento em Portugal, a professora Dorinha e seu marido João Maria da Roca, também contador de histórias, farão apresentações de seus contos e serão homenageados. Na oportunidade, Dorinha será empossada no Núcleo de Letras e Artes de Lisboa. “É o reconhecimento do trabalho de uma vida inteira. E que vai mostrar nossa cultura, nosso sotaque, nossas cores”, afirmou a professora.

Para arcar com os custos da viagem, a professora reuniu uma comitiva com escritores que também viajarão para a Europa para promover cursos de contação de histórias. Além disso, Dorinha está contando com o apoio da Secretaria de Educação e Cultura do RN. “A literatura foi que me trouxe até aqui, mas a SEEC e a CODESE têm sido palcos para que eu pudesse contar minhas histórias”, ressaltou Dorinha.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Academia Norte-Riograndense de Literatura de Cordel empossa nova diretoria

Cordelista Antonia Mota
Antonia Mota do Nascimento assume a presidência da Academia Norte-Riograndense de Literatura de Cordel em solenidade ocorrida no Teatro Cândinha Bezerra, na cidade de Santa Cruz, na noite do sábado passado (20). A experiente Antonia Mota tem pela frente o desafio de disseminar o cordel no Estado tendo como principal foco a presença da literatura popular no âmbito da escola.

A Academia foi fundada em 2011 para aglutinar os poetas cordelistas do Rio Grande do Norte, presidida inicialmente pela poetista Rosa Regis, e atualmente pelo José Acaci que passa agora o bastão para Antonia Mota do Nascimento.

Com Antonia Mota estão assumindo cargos na nova diretoria, os cordelistas Josenira Fraga de Holanda Brasil (vice-presidente), Rosa Ramos Regis da Silva (1º Tesoureiro), Tamires Macena da Silva (2º tesoureiro), Marciano Batista de Medeiros (1º secretário) e Francisco Martins Alves Neto (2º secretário).

Na oportunidade, também foram empossados novos cordelistas: o poeta Fernando Antônio Soares dos Santos (Nando Poeta) assumiu a cadeira de nº 16, que tem como patrono Luiz Gonzaga Brasil; Hélio Gomes Crisanto assumiu a cadeira de nº 32, que tem como patrono José Celestino Alves; e o poeta Gilberto Cardoso dos Santos assumiu a cadeira nº 27, que tem como patrono João Albino da Costa.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Matemático da Universidade de Coimbra, ganhador do Prêmio Lagrange, participa de pesquisa sobre petróleo na UFRN

Professores João Medeiros de Araújo, Luis Nunes Vicente
e Liacir dos Santos Lucena (Foto: AnoteRN)
Por Isaias Oliveira (Portal Foco Nordeste/AnoteRN)

A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) recebe neste mês de dezembro a presença do professor português Luis Nunes Vicente, laureado nome da Ciência mundial, especialista em Matemática Aplicada no campo da Otimização. O professor Luiz Nunes, da Universidade de Coimbra, é ganhador de um dos maiores prêmios internacionais na Matemática, o Prêmio Lagrange, no ano de 2015. O Prêmio Lagrange, que acontece de 3 em 3 anos, é conferido por duas importantes instituições científicas – a Society for Industrial and Applied Mathematics (SIAM) e a Mathematical Optimization Society (MOS), a cientistas que se destacaram com trabalhos desenvolvidos internacionalmente na área da Otimização.

O professor Luis Nunes Vicente está no Rio Grande do Norte participando de investigação científica da UFRN voltada para o desenvolvimento de Novos Métodos e Técnicas que objetivam a localização e caracterização de reservatórios (jazidas) de petróleo por meio da análise e interpretação de informações contidas em ondas sísmicas que são espalhadas e reemitidas no interior da Terra, sendo detectadas na superfície.

O projeto da UFRN, que tem a coordenação do professor Emérito da UFRN, Liacir dos Santos Lucena, procura melhorar a resolução das imagens representativas das estruturas do subsolo através da otimização da solução de um problema difícil, que consiste na inversão completa das formas de onda, da equação diferencial parcial que modela o comportamento das ondas sísmicas. Trata-se de um problema de alta complexidade, com um número elevadíssimo de incógnitas, no qual se procura estimar as propriedades físicas e a geometria das diferentes camadas e regiões abaixo da superfície, com base em poucas informações. O que se pretende é conhecer as estruturas geológicas do subsolo, por meio do envio e do posterior retorno de ondas sísmicas após serem modificadas por meios materiais desconhecidos e desordenados. “Esse retorno oferece informações que depois permitem calibrar (ajustar) os modelos matemáticos que descrevem o subsolo. Essa calibração é feita com otimização matemática”, informa o professor Luis Nunes Vicente.

“O interior do nosso planeta apresenta estruturas complexas e heterogêneas, algumas das quais servem de indícios da provável existência ou ocorrência de petróleo ou gás natural. Os dados ou informações obtidas pelas sondagens e prospecções sísmicas, extraídos dos sinais das ondas sísmicas são escassos, quando comparados com o grande volume de grandezas desconhecidas, daí a necessidade da utilização de modelos físicos e matemáticos sofisticados, além de algoritmos intrincados e de cálculos numéricos efetuados em supercomputadores”, ressalta Liacir Lucena.

A otimização matemática permite o melhor conhecimento da jazida e enseja uma exploração petrolífera mais eficaz. Ajustando as respostas trazidas pelas ondas mecânicas, que são emitidas por uma fonte com grande energia e que se propagam abaixo da superfície. Com os modelos matemáticos, pode-se saber, por exemplo, quais as estruturas geológicas, tipos de rochas, geometria, presença de água e localização do óleo. “A otimização matemática, no caso, consegue minimizar os desajustes”, diz Luis Nunes Vicente.

O projeto desenvolvido pela UFRN conta com as participações do Departamento de Física Teórica e Experimental, do Departamento de Controle e Automação, do Programa de Pós-Graduação em Física, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica, do Programa de Pós-Graduação em Ciência e Engenharia do Petróleo, e tem o apoio da SHELL dentro das regras estabelecidas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O projeto está sendo executado por uma equipe multidisciplinar da UFRN englobando físicos, matemáticos, engenheiros, geofísicos, especialistas em informática e ”experts” em computação de alto desempenho. O grupo responsável pelo projeto inclui ainda cientistas e pesquisadores visitantes do Brasil e do exterior, 5 doutores em atividades de pós-doutorado escolhidos através de um processo de seleção de abrangência internacional , 5 estudantes de doutorado e 9 estudantes de mestrado, selecionados de forma similar, e parceiros de outras universidades e do CIMATEC, Centro de pesquisas ligado à Federação das Indústrias do Estado da Bahia.

O alcance da Matemática

“A Matemática, em sua versão mais clássica, estuda a “quantidade” (Álgebra), a “variação” (Analítica) e a “forma” (Geometria), e faz isso substituindo o método experimental pela abstração e o rigor. Atualmente a Matemática também estuda o ”incerto” (Probabilidade) e o “equilíbrio” e a "mínima energia" (Otimização)”, explica Luis Nunes Vicente.

A Matemática está presente em todo o espectro da sociedade e do mundo no qual vivemos. Nos negócios, nas distâncias, no tempo, na Educação, na Saúde, na construção de moradias, prédios, viadutos, estradas, nas viagens aéreas, terrestres e marítimas. Está presente em todo o nosso cotidiano e nos segue por toda parte. Na era tecnológica que vivemos, avança mais ainda e se faz onipresente por meio de um mundo integrado através da computação – smartphones, tabletes, computadores, jogos de videogame e informática em geral. Essa Matemática tão onipresente convoca permanentemente o leitor e o estudante a saber mais sobre ela.