segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Aulas Práticas de professores da Escola “Rômulo Wanderley ampliam conhecimentos dos alunos

Em tempos de embates políticos e busca pelo academicismo como fórmula mágica para salvar a Educação do Rio Grande do Norte, professores da Escola Estadual “Rômulo Wanderley” mostram com projeto prático e criativo, que o ensino público está vivo e pode avançar a partir da concretização de idéias simples que valorizem os traços culturais e congreguem a comunidade.
Foto: Divulgação

Os professores Mytercia Bezerra da Silva (Ciências), Leopoercino dos Santos (Geografia), Zoraide Pereira (Português), Astíages Siqueira (Inglês), e Marluce Galdino (História), decidiram integrar ações de caráter pedagógico e conteúdos de suas respectivas disciplinas em um projeto que conseguisse juntar a teoria da sala de aula ao ensino prático do campo. Dessa maneira, surgiu no ano de 2005 o projeto de aulas práticas de campo da Escola “Rômulo Wanderley”.

Essa iniciativa tem feito com que, sem contar com maiores ajudas da estrutura oficial de Educação do Estado, os professores comandem verdadeiras aulas de campo em diferentes contextos culturais e econômicos do Rio Grande do Norte, ensejando aos alunos o necessário conhecimento concreto da realidade.

Foi dessa forma que uma turma de 30 estudantes do 9º ano da Escola “Rômulo Wanderley”, devidamente acompanhado por seus professores, participaram de Aula de Campo na tradicional e histórica Feira Livre do bairro das Rocas, que existe desde o ano de 1928.

Para os alunos, a ida a Feira para uma aula de campo tem objetivo de dar condições práticas para que seja feita uma relação do que é aprendido em sala de aula, em termos ambientais, com o que realmente acontece no cotidiano. O estudo da Feira também dá condições para uma avaliação sobre o que representa nos tempos atuais, dominados por grandes redes de supermercados, o comércio ingênuo e espontâneo dos mercadores informais. “Os alunos também têm a oportunidade a linguagem usada pelos feirantes nos apelos de vendas junto a clientela”, diz a professora Mytercia Bezerra.

Os professores são beneficiados pelos diversos aspectos de aprendizagem que o rico ambiente de uma Feira Livre pode oferecer. Aprendizagem essa que alcança professores e alunos e que enseja também uma rica discussão e a inserção de conteúdos pedagógicos.

Na Feira das Rocas, os estudantes também aplicaram questionários com perguntas destinadas aos comerciantes e aos clientes sobre aspectos como níveis de escolaridade, cuidados com higiene no local, diversidade cultural, e aspirações de progresso social. “Na Feira, os alunos interagem com os comerciantes e compradores, fazendo entrevista e trocando conhecimentos”, conta Mytercia.

Após uma semana da Aula de Campo, os estudantes, divididos em grupos, reproduzem na Escola o ambiente da Feira. Os professores examinam os cartazes, linguagem de gírias próprias do ambiente, e as barracas confeccionadas pelos alunos.

Os estudantes da Escola “Rômulo Wanderley” tiveram Aula de Campo na Feira das Rocas em abril de 2010. Este ano, a Aula de Campo acontece no dia 27 deste mês e será uma visita para estudos à Escola do Sertão e a Mina Brejuí em Currais Novos, região Seridó do Rio Grande do Norte. “Vamos trabalhar em Currais Novos aspectos como a seca, a mineração e as tradições regionais. Depois os alunos irão apresentar portfólio da viagem à comunidade escolar”, adianta a professora Mytercia Bezerra.

Os professores do “Rômulo Wanderley” já fizeram aulas práticas com viagens aos municípios de Baía Formosa, Ceará-Mirim (conhecer usinas de cana-de-açúcar), Praia de Pirangi (conhecer maior cajueiro do mundo), e Bom Jesus (conhecer comunidade Quilombola). “Em Natal, também já fizemos o percurso do Corredor Histórico – Forte dos Reis Magos, Teatro Alberto Maranhão e Praça André de Albuquerque”, completa Mytercia Bezerra.

A Escola Estadual “Rômulo Wanderley” está situada no bairro de Soledade I, Zona Norte de Natal. A professora Mytercia Bezerra é professora do Estado há 11 anos e mora nas proximidades da “Rômulo Wanderley”, no bairro de Soledade II. “A Secretaria da Educação deve se aproximar mais do professor e criar formas para que projetos como esse se multipliquem, porque eles irão fazer a diferença e mudar o baixo rendimento escolar”, conclui a professora de Ciências Mytercia Bezerra.

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