segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Cientistas do Instituto do Cérebro identificam célula que controla a memória

Cientista mineiro Richardson Leão

Grupo de neurocientistas do Instituto do Cérebro, em Natal, conseguiu identificar as células OLM que atuam diretamente na memória. 

O grupo do Instituto do Cérebro da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte) vem atuando em conjunto com cientistas da Universidade de Uppsala, na Suécia. 

Os cientistas descobriram que a ativação de um tipo específico de neurônios conhecido por OLM altera o fluxo de informação do hipocampo, uma região cerebral que funciona como uma espécie de memória RAM do cérebro. 

Para conseguir identificar as células OLM, o grupo sueco, liderado pelo pesquisador Klas Kullander, gerou um camundongo transgênico em que esses neurônios brilham quando iluminados por luz verde.

O grupo dos cientistas do Instituto do Cérebro, liderado pelo pesquisador Richardson Leão, injetou nesse animal um vírus geneticamente modificado, deixando as células OLM sensíveis à luz. Dessa forma, ao utilizar fibras óticas, os cientistas foram capazes de ativar e desativar essas células, através de uma nova tecnologia conhecida por Optogenética. 

O estudo, publicado no periódico Nature Neuroscience, começa a revelar os mistérios do fantástico mundo da memória. Até agora permanecia desconhecido o modo de processamento de estímulos sensoriais como a visão e o de evocação de memórias. 

“O cérebro pode ser comparado a um computador extremamente eficiente, capaz de processar, armazenar e recuperar uma quantidade enorme de informações diariamente. Ao contrário do computador, mostramos que o cérebro utiliza somente um mecanismo para gravar e lembrar memórias, alternando entre um modo e outro em frações de segundos”, declarou o neurocientista do Instituto do Cérebro, Richardson Leão. 

Na pesquisa, os cientistas mostraram que as células OLM modulam a entrada e saída de informações nas vias do hipocampo. “Quando ativadas, essas células priorizam os sinais provenientes do próprio hipocampo, evocando memórias armazenadas ao mesmo tempo em que fecham a entrada de informações sensoriais nessa região”, explicou um dos autores do estudo, o pesquisador da UFRN, Adriano Tort. 

Os cientistas também conseguiram demonstrar que o contrário ocorre quando essas células estão inativas. 


“Em trabalhos anteriores, havíamos previsto que os neurônios do tipo OLM teriam um papel-chave no controle da memória. O animal desenvolvido na Suécia nos permitiu finalmente testar essa hipótese”, acrescentou Adriano Tort. 

Segundo o neurocientista Richardson Leão, o próximo passo será a realização de estudos eletrofisiológicos no Instituto do Cérebro. Isso irá ensejar uma investigação da atividade elétrica do cérebro, para entender de que forma as células OLM influenciam as ondas cerebrais no hipocampo, também envolvidas na formação de memórias. 


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