terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Santa Maria (RS) das Estudantinas

Por Tadeu Oliveira

Nos últimos anos, Santa Maria (RS) tem se tornado um pólo acadêmico de amplitude nacional. Pela força de suas instituições universitárias, a cidade recebe estudantes de diversos estados brasileiros e de outros países.

Agora com advento do Enem/SiSU a demanda aumentou, multiplicando o número de matrículas, e com isso os problemas de ordem social como hospedagem e lugares para alimentação de estudantes.

Com as presenças de jovens de todos os lugares, Santa Maria viu também aumentar as possibilidades econômicas e seu mercado de trabalho. Muitas casas foram transformadas em albergues e a cidade empenhou-se em oferecer mais opções de lazer a uma clientela jovem.

Em décadas passadas existia aqui no Brasil as chamadas “estudantinas”, com danças de salão após as aulas e nos finais de semana, e o baile de formatura feito, integralmente, pelos esforços e talento dos próprios estudantes.

Quem não se lembra disso? Grupos estudantis usavam a música para agregar mais jovens, como o “Sempre Alerta” de Macau nos anos 60.

Tempo em que a transformação e evolução juvenil eram produzidas ao som das guitarras, baterias e bandeiras, porém fogos só ao ar livre.

Com o passar do tempo, apareceu espaço para eventos mais sofisticados, com denominação de “área de lazer”, “clube privê” e “boate”, algumas arquitetadas sobre modernismos da construção civil e lançadas no mercado através de franquias.

Com isso, as “estudantinas” ficaram no romantismo do passado dos anos dourados, visto apenas em filmes vespertinos ou temas de novela de época. Sim, no Rio de Janeiro ainda pode ter grupo organizado que preserva essa memória musical.

As “estudantinas” foram permutadas por empreendimentos que visam lucro e existem além das “boates”, instituições que organizam as festas de final de ano prestando assessoramento aos grupos concluintes de cursos. O que era esforço coletivo estudantil virou negócio aos olhos do capitalismo.

Já no meio secundário, até os anos oitenta, as festas estudantis eram realizadas no interior das escolas, sempre na intenção de arrecadar recursos para colação de grau no final de ano. Agora não pode, há uma determinação de não ter festa no ambiente escolar até por questão de segurança no bairro onde a escola está inserida.

O certo é que quando a organização estudantil perde o seu controle, perde também o seu divertimento, perde a razão de existir...

Grupo da Estudantina da Universidade de Évora, Portugal

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