quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Bento XVI sai de cena: a multidão de fiéis não tem mais um só coração

Papa Bento XVI: sai de cena buscando o avanço da igreja
Por Tadeu Oliveira

O anúncio da saída de cena do Papa Bento XVI, feita por ele mesmo no início desta semana, pegou os católicos de surpresa.

Mesmo que Bento XVI argumente que seja devido a problemas de saúde, sua renúncia ao papado pode ser vista como forte evidência de que a igreja católica passa por crise de ordem política interna e externa.

Para quem acompanha a história da igreja, renúncia não faz parte do vocabulário do Vaticano, embora o Papa tenha esse direito por escrito.

O certo é que foram oito anos de turbulência papal. Para unir o povo católico, o papa vinha sofrendo pressão por todos os lados, desde quando começou a chefiar a igreja.

Bento XVI não estava sendo mais fonte para a união dos bispos, sua palavra não conseguia ser mais unidade na igreja e escândalos, como os de ordem ética sacerdotais, surgiam em todos os continentes.

Aos 86 anos, o experiente cardeal alemão usou o peso da responsabilidade. Entre ele e o futuro da igreja usou da honestidade, escolheu renunciar.

Bento XVI soube, sabiamente, ler o tempo, o seu e o da igreja. Entendeu o momento e soube optar entre o ego pessoal, que no ser humano clama pelo poder, e a necessidade de oxigenar a caminhada da igreja. 

Coisa que seu antecessor não fez e se vangloriou de ter segurado o cetro do Vaticano até o final da vida, enquanto a igreja, até por sua causa, claudicava no declínio pelo mundo afora.

Renunciar é uma atitude complicada para a fidelidade eclesial. O pontificado, ao que parece, foi instituído para a eternidade, desconsiderando que o homem físico tem seus limites.

Na história da igreja católica foram poucos os que tomaram essa atitude de renúncia, o último já faz 600 anos.

É certo que o papa sai, os problemas da igreja de Roma ficam. Os grupos conservadores, inclusive na América Latina, “rezam” mais alto. Ecoam mais forte.

Acobertados por manto nada sagrado, alguns grupos da ala conservadora usam muito bem o poder de comunicar e vozes chegam mais perto dos fieis, até usam alienantes canções.

A dominação conservadora, atrasada, é tão forte que, em áreas como a América Latina, se apossam da voz que deveria emanar do Vaticano, e chega ao povo de Deus através de seus representantes, sejam eles sacerdotes ou leigos.

Espero que o novo papa retome a unidade com os bispos, sua palavra chegue às comunidades eclesiais de base, com a história do povo de Deus, e com o verdadeiro sentido do evangelho de Jesus, que exige a comunhão do povo com os pilares da igreja.

Não quero que Bento XVI inaugure um novo mandamento cristão: renunciar quando a capacidade de construir unidade não está ao seu alcance, seja pela idade, saúde, santidade ou vergonha. Porém, que a atitude do papa sirva de exemplo para outros chefes de estado, quem sabe prefeitos, governadores, presidentes, gestores e até lideres sindicais. 

Renunciar é resultado de reflexão e pode ser indicativo de avanço.

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