domingo, 3 de fevereiro de 2013

Brasileiro é um dos quatro finalistas ao prêmio de melhor professor dos Estados Unidos

Alexandre Lopes interage com as crianças
O brasileiro Alexandre Lopes está entre os quatro finalistas ao prêmio de melhor professor dos Estados Unidos. O vencedor será anunciado no mês de abril e o prêmio será entregue pelo presidente Barack Obama, na Casa Branca.

No ano de 2012, Alexandre Lopes ganhou o prêmio de melhor professor do grande estado da Flórida, onde ficam as cidades de Miami e Orlando.

Para chegar a finalista, Alexandre Lopes passou por todo o processo de avaliação e venceu em seu estado - a Flórida. O Conselho Nacional, responsável pelo prêmio, entrevistou os professores representantes dos 50 estados americanos e decidiu quais seriam os quatro finalistas, entre eles o brasileiro.
Compreensão e carinho com as crianças

Alexandre Lopes é formado em Produção Editorial pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e mestre em Educação pela Universidade de Miami, EUA. 

No momento, estuda para doutorado Educação Especial e Educação Urbana na Universidade Internacional da Flórida e dá aulas no pré-primário na escola "Carol City Elementary", em Miami,  liderando o projeto "Learning Experience: Alternative Program" (A Experiência de Aprender: programa alternativo). No projeto, Lopes faz uso de danças e música para estabelecer comunicação com as crianças. Seus alunos, na maioria, são autistas ou ainda não conseguem falar.

Alexandre Lopes, natural de Petrópolis, RJ, foi para os Estados Unidos no ano de 1995, onde chegou a trabalhar, inicialmente,como comissário de bordo.

A decisão de fazer o mestrado em Educação mudou radicalmente a sua vida. Descobriu o prazer pelo ensino e pelo contato direto com alunos/crianças. Em julho de 2012 foi escolhido o professor do ano na Flórida, superando cerca de 185 mil concorrentes. Com 43 anos de idade está cotado para ser escolhido o melhor professor da nação mais desenvolvida do mundo.

Lopes: "tudo em sala de aula está acessível aos alunos"
"Desde o jardim-de-infância até o final do meu bacharelado, sempre fui ensinado por educadores brasileiros. Acho que cheguei aonde cheguei, em grande parte, devido aos grandes mestres que tive no Brasil", destaca Alexandre Lopes.

O prêmio de melhor professor dos Estados Unidos tem critérios rigorosos e é acompanhado passo-a-passo por avaliadores especialistas.

Em cada etapa é necessário que o candidato faça um trabalho escrito que demonstre a filosofia e a prática educacional do professor. Os candidatos são entrevistados e observados em sala de aula pelo comitê de seleção.

Quando se apresentam para as entrevistas formais, têm 30 minutos para escrever uma redação sobre um tema surpresa. Os prêmios do condado e do Estado são em dinheiro. Na etapa estadual, por exemplo, teve o patrocínio da rede de lojas de departamento Macy's, que deu ao professor US$ 10 mil, uma viagem a Nova York com três acompanhantes e um vale para fazer compras nas lojas da rede.

Além dos prêmios materiais, Alexandre Lopes viu também que ser bom professor pode dar popularidade. "De uma hora para outra me tornei uma pessoa pública, tanto nos Estados Unidos como no Brasil", relata. 

Lopes: "Cuido também do lado social e emocional dos alunos" 
"Há muito que pensar. Sempre fui empenhado e dedicado ao meu trabalho e à minha vida pessoal, e é exatamente assim que planejo ser daqui para frente. Cuido do presente o melhor que posso, e não temo o futuro. Gosto de desafios. Desconfio que o fato de ter sido selecionado entre 185 mil professores não é nada se comparado aos desafios que estão por vir", completa Lopes.


O que é "Learning Experiences" (LEAP)


No mestrado, Alexandre Lopes teve contato com o programa de inclusão para crianças com autismo em sala de aula, utilizando o método Learning Experiences - An Alternative Program for Preschoolers and Parents (LEAP, Experiências de aprendizado - um programa alternativo para pré-escolares e pais).

No programa, alguns alunos têm autismo e outros têm o desenvolvimento típico para a idade. "Minha visão educacional é holística. Cuido do lado acadêmico, mas também do lado social e emocional de meus alunos", conta o educador. 

Alexandre Lopes usa música e tecnologia em sala de aula e busca integrar a família e a comunidade com os alunos. "Tudo dentro de minha sala contém um rótulo e está acessível aos meus alunos, pois assim eles podem explorar o ambiente e tomar as rédeas da própria educação", afirma.

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