quarta-feira, 6 de março de 2013

Com a palavra sua excelência o Programa de Cisternas do RN: a alegria das águas

Águas das chuvas começam a chegar as cisternas
O jornalismo governamental pode ir além do burocratismo de costume. Pode sair das salas refrigeradas e conhecer os fatos onde eles acontecem - nas ruas urbanas, nos vales rurais, nas dunas praianas, nas serras do Sertão. Pode ouvir os protagonistas da história que está sendo construída a cada dia.

A jornalista Zilene Costa deu uma demonstração, nos últimos dias, de que o jornalismo governamental pode, sim, ir além das salas de repartições. Ao tomar conhecimento dos relatos vindos do Alto Oeste, região mais afetada pelas estiagens, da chegada das águas das chuvas nas cisternas feitas pelo programa da Secretaria de Trabalho e de Assistência Social, pasta em que atua como assessora de imprensa, Zilene não titubeou, foi até lá conferir. Viajou até o município de Luiz Gomes, na chamada Tromba do Elefante, Alto Oeste do RN, distante 442 quilômetros de Natal.

Em Luiz Gomes, Zilene viu o contentamento e a esperança do povo pela água que começa a cair do "céu", ainda timidamente. Viu o alcance social do programa de sua secretaria. Viu que o dinheiro público, quando bem aplicado, dá resultados.

O programa de cisternas liderado pela Sethas, em parceria com o Governo Federal, tem investimentos iniciais de R$ 4,7 milhões e está construindo mais de 3,1 mil unidades com capacidade para armazenar 16 mil litros de água em diversas regiões do Rio Grande do Norte.

A matéria de Zilene Costa, direto de Luiz Gomes, RN

O Governo do Estado do Rio Grande do Norte está concluindo, através da Secretaria de Estado do Trabalho, da Habitação e da Assistência Social-Sethas, o programa de cisternas na região do Alto Oeste Potiguar. 

Parte dos reservatórios já conta com uma pequena quantidade de água armazenada, graças às chuvas, ainda que de baixa intensidade, que caíram na região durante o mês de fevereiro. Quantidade que não garante, pelo menos até o momento, a dispensa do caminhão pipa. As poucas chuvas não bastaram para encher os reservatórios. Com capacidade total para 16 mil litros, eles captaram menos de ¼ de água.
Alegria com a água armazenada no Alto Oeste
"Aqui sempre choveu pouco, mas esse ano está pior. A última chuva foi no dia 17 (fevereiro). De lá para cá não choveu mais", lamenta o agricultor familiar, Marcelino Caitano, da comunidade Caititu, na zona rural do município de Luís Gomes.

"Como não choveu muito a gente tem que poupar esse pouquinho que deu para juntar", explica a aposentada Maria de Lourdes Soares, da localidade Baixas, também no município de Luís Gomes, na região do Alto Oeste Potiguar, um dos mais castigados pela estiagem. Lá, a água é escassa e o acesso para se chegar ao pequeno povoado é difícil.

Aliás, foi justamente essa dificuldade de acesso um dos critérios para que a pequena localidade, onde vivem 28 famílias, entrasse no Programa Nacional de Cisternas (P1MC), do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome-MDS.
Cisternas construídas em comunidades distantes
O secretário de Trabalho e Assistência Social do Rio Grande do Norte, Luiz Eduardo Carneiro Costa, esclarece que o programa de cisternas, o maior já executado no Rio Grande do Norte, não é uma ação emergencial para a estiagem. “Trata-se de uma ação permanente de convivência com a seca. São reservatórios de alvenaria e que servem para o armazenamento de água das chuvas por muitos anos”, explica.

As famílias beneficiadas pelo programa de cisternas foram pré-selecionadas pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. O programa é fruto de um convênio entre o Governo do Estado do Rio Grande do Norte, através da Sethas, e o Governo Federal, por meio do MDS.

Água  produzindo satisfação em crianças e jovens
Foram priorizadas pelo programa as famílias inscritas no Cadastro Único da Assistência Social (do Governo Federal) e residentes em localidades rurais onde o acesso a água é mais difícil. Para que o programa pudesse ser executado no Rio Grande do Norte, o Governo do Estado, através da Sethas, precisou fazer um desembolso de R$ 1,5 milhão, como contrapartida financeira.

Para Damião Santos, coordenador do projeto pelo Serviço de Apoio aos Projetos Alternativos Comunitários-Seapac, organismo social que venceu a concorrência pública realizada pela Sethas para a execução do programa no Estado, "o mais importante para essas pessoas é saber que, agora, quando as chuvas vierem, em qualquer tempo, eles terão água armazenada, em um reservatório apropriado, durante o ano todo, na porta de casa", reforça.

Na região do Alto Oeste, 14 municípios foram contemplados: Luís Gomes, Paraná, Marcelino Vieira, Venha Ver, Coronel João Pessoa. Segundo Damião Santos, em duas semanas todas as 1.301 cisternas previstas para a região estarão concluídas. Ele informa que 120 homens - parte deles, moradores da própria região -– trabalham na construção dos reservatórios. No total, o programa prevê, até o final de junho, a construção de 3.100 cisternas de alvenaria em 47 municípios potiguares.
Francisco Everaldo: cisterna e capacitação de pedreiro
O agricultor Francisco Everaldo de Carvalho, 29 anos, da localidade Poço de Pedra, no município vizinho Riacho de Santana, foi duplamente beneficiado pelo programa. Ganhou uma cisterna, a capacitação como pedreiro e trabalhou na construção de 14 reservatórios. Pelos serviços que fez recebeu cerca de R$ 1.700,00. "Foi muito bom para mim. Estou na espera de novos trabalhos", dispõe-se o rapaz.

A cisterna de placa é uma tecnologia popular para a captação de água da chuva. A água que escorre do telhado da casa é captada pelas calhas e cai direto no reservatório, onde fica armazenada. Com capacidade para 16 mil litros de água, a cisterna supre a necessidade de consumo de uma família com cinco pessoas por um período de estiagem de, aproximadamente, oito meses.
A construção da esperança através da cisterna de placas






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