sábado, 11 de maio de 2013

Dia das Mães: mídia e sentimento puro

Dia das Mães na Escola Grimaldi Ribeiro, Montanhas, RN
Por Tadeu Oliveira

Confesso que fique surpreso, ao visitar uma escola de ensino fundamental em Natal, com o fato dos alunos receberem convite comemorativo ao Dia das Mães produzido, editado e enviado por uma assessoria de comunicação.

Sim, o trabalho para alguns alunos foi apenas levar até as mães, digo alguns, porque a maioria recebeu o convite festivo via correio eletrônico e redes sociais.

Não é difícil encontrar nos veículos de comunicação, propaganda sobre o Dia das Mães de clientes do meio educativo, bem ou mal, produzida por agência de publicidade.

Volto à linha do tempo para relembrar alguns fatos de minha vida escolar no mês das mães. Os convites eram criados pelos alunos, diante da supervisão dos professores. Sempre com uma boa cartolina, lápis de cera e criatividade coletiva em busca de uma boa frase de efeito.

Na linha do tempo, recordo que nas séries iniciais, no grupo escolar Duque de Caxias, em Macau, passei muito sufoco para criar frase sobre dias das mães. Não tinha medo de escrever errado porque não havia conceito do que era certo ou errado e a professora Cacilda corrigia os erros sem explicar motivos, mas todos os alunos criavam seus próprios convites às festas das mães.

Depois, já em Natal, fui agraciado por um programa de rádio (Rádio Cabugi) como a melhor frase sobre dias das mães. Recebi do apresentador um aparelho de “liquidificador” para ser sorteado entre as mães da escola Severino David, nas Rocas. Não recordo mais a frase, sei que relacionava o sacrifício da Maria, mãe de Jesus, com as mães moradoras do bairro das Rocas e seus filhos travessos.

Noutra ocasião, no Instituto Kennedy, eu e Carlos Magno Dantas (hoje jornalista) ganhamos, separadamente, o concurso de melhor cartaz sobre o dia das mães. Eu fiz uma frase simples: “Mãe é vida”. Sim, como um estudante secundarista recortei uma série de fotografias da página policial da Tribuna do Norte da época sobre violência juvenil e escrevi com lápis tipo hidracor vermelho “Mãe é vida”.

Agora, o tempo passou e entro numa escola e vejo que nada se faz sem o “auxílio” da mídia, do Google e das redes sociais, e até de profissionais que são pagos para criação de coisas que dizem respeito direto a emoção.

O grande ensino na escola que visitei, e que pode ser ampliado para milhares de outras, é de que as facilidades tecnológicas do mundo moderno não podem fazer prevalecer a artificialidade em detrimento da criatividade, do talento, do sentimento e da emoção humana.

Afinal não foi o computador que fez o ser humano. Foi o ser humano que fez o computador. Não foi a rede social que fez o ser humano. Foi o ser humano que fez a rede social.

E é exatamente o ser humano, com todos os seus limites e suas emoções, que está pensando, e vai tornar em realidade, o que vem a seguir. Computador, rede social, e etc., isso é só o começo de uma era de criatividade e de talento conduzida pelo ser humano.

Ser humano que tem mãe e que precisa desde cedo mostrar, com autenticidade, seu sentimento por ela.

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