quinta-feira, 4 de julho de 2013

Brasil X Espanha: As manifestações da Rua entram no Maracanã na forma de Hino Nacional

A força do Hino fala  para Neymar...




Por Isaias Oliveira

Favorecido pelo distanciamento do tempo, já faz quatro dias da grande final Brasil X Espanha, destaco aspectos que ajudaram a fazer a diferença no clássico do futebol mundial.

O canto do hino nacional tem acontecido em todos jogos da seleção brasileira e também se tornou costumeiro em campeonatos de clubes. Já é uma rotina tradicional e até protocolar. Só que o Hino Nacional brasileiro cantado momentos antes do jogo Brasil X Espanha, no domingo (30 de junho), teve conotação e repercussão diferente.
A maneira como a totalidade dos torcedores e os jogadores brasileiros cantaram o hino, evidenciando de forma contundente que as manifestações cidadãs das ruas estavam sim dentro do Maracanã, serviu para mandar alguns recados internos, no âmbito de nossa seleção, e externos, alcançando até mesmo a seleção espanhola.
A força do canto do Hino Nacional tocou fortemente os jogadores. Era como se o Maracanã dissesse para Neymar pelas estrofes do hino: "Não se apequene, você tem a combinação mais explosiva do futebol atual - agilidade, leveza, domínio de bola, talento para driblar e chuta com as duas pernas".

Dissesse para Paulinho: "Não tem essa história de Xavi, nem de Iniesta, você é o melhor volante do mundo. Defende bem e é decisivo no ataque".
...para Paulinho...
Dissesse para Júlio César: "Você é tão bom quanto Casillas. Você esteve e está entre os melhores goleiros do mundo".

Dissesse para o time brasileiro: "Vocês são o melhor elenco futebolístico do mundo. Vocês são destaques no maior e melhor celeiro de craques do planeta futebol".

A força do canto do Hino Nacional atravessou os limites de nossa seleção e até dos que fazem política no Brasil, e chegou ao time da Espanha. Ali foi dado um recado claro: "se segurem, não vai ser fácil, o Brasil virá com tudo". Não deu outra.

Resultado: 3 X 0. E ficou barato.
... e para os jogadores
O recado foi ouvido em Madri, a mais de 8 mil quilômetros de distância. A maneira calorosa como foi cantado o Hino Nacional Brasileiro chamou a atenção de um dos principais cronistas europeus, e um dos mais lidos jornalistas esportivos da Espanha, Juanma Trueba.

O jornalista estampa matéria de capa no Portal AS e no jornal AS, minutos após o jogo, com o título: "El mejor Brasil y la peor España", dando ênfase a força transmitida pelo canto do Hino Nacional Brasileiro.

Juanma Trueba diz que o ato protocolário (cantar o hino antes de jogo de seleção) se converteu em jogada de estratégia no instante em que parou a música e tanto público como jogadores passaram a cantar em pleno pulmão as últimas estrofes. Trueba diz ainda que eco do hino se estendeu por todo o primeiro tempo.

A conclusão de Juanma Trueba beira a perfeição. Só não é perfeita porque não diz que o Hino Nacional Brasileiro, naquele momento mágico, foi cantado também a plenos pulmões em milhares de casas do país. Não diz também que o eco do Hino ainda prossegue reverberando e repercutindo nas ruas e nas casas brasileiras.

Palavras de Juanma Trueba (o negrito é original)

"El guión del partido valdría como letra para una canción de Bossa Nova, tan festivo fue. El primer gol nos lo marcaron con el himno. El acto protocolario se convirtió en jugada de estrategia en el instante en que cesó la música y tanto público como jugadores corearon a pleno pulmón las últimas estrofas.

"El efecto de reunir a 180.000 personas gritando “patria amada” fue inmediato: gol de Fred en el primer minuto. Gol absurdo, plagado de accidentes y rebotes. También de alguna negligencia defensiva. Tampoco ayudó Casillas. Al final, Fred, delantero muy poco exquisito, marcó desde el suelo y provocó el delirio de Maracaná.

"El eco del himno se alargó durante toda la primera parte. Si España no tenía ideas era porque apenas podía respirar. Cuando no nos condenaban nuestras imprecisiones, eran las patadas brasileñas las que interrumpían el rondo, siempre con la complacencia del árbitro.

"El ambiente nos quemaba las pestañas. El partido parecía un rodeo y la Selección un jinete dislocado; no luchábamos por ganar el Grand National, sólo por sobrevivir. La superioridad física de Brasil era tan abrumadora que anulaba otros debates. No encontramos antídoto contra esa combinación de entusiasmo y agresividad".



Nenhum comentário:

Postar um comentário