domingo, 22 de setembro de 2013

Epaminondas comenta Veja: Governo brasileiro "briga" com Obama para matuto ver

Por Francisco Epaminondas (Chico Lopes)

A reportagem da Revista Veja traz nesta semana informações sobre reunião que decidiu, em nome do Governo Brasileiro, descartar a viagem de Estado da presidenta Dilma Rousseff aos Estados Unidos no mês de outubro.

Na reunião, o ex-presidente Lula, a presidenta Dilma Rousseff, o marqueteiro do PT, João Santana, e o jornalista Franklin Martins.

A presidenta ouviu de seus conselheiros que esnobar os Estados Unidos e Barack Obama neste momento, em que se fala tanto em espionagem americana, teria forte impacto junto ao eleitorado caipira brasileiro.

Não duvido disso. O matuto gosta de tomar conhecimento que seu país é forte, grande, poderoso e tem condições de peitar a superpotência.

O problema é que o Brasil, na verdade, não é nada disso. É apenas grande e tem uma grande população, com uma vergonhosa percentagem de analfabetos. O Brasil também é aquele país que se vangloria de ter o maior programa de assistência social do mundo - o Bolsa Família. É a mesma coisa de se vangloriar de ter uma população semelhante a de vários países africanos somados vivendo abaixo da linha de pobreza.

Dilma age pensando no eleitorado
Ao decidir cancelar uma Visita de Estado a superpotência, o Brasil também desperdiça múltiplas oportunidades no campo econômico e até a questão do Visto de passaportes dos brasileiros fica pra outro momento, que ninguém sabe quando será. Isso porque a bola agora passa para Barack Obama e já se sabe que ele é especialista na arte de esperar.

Para mostrar que a história da espionagem de agência americana no Brasil está sendo usada como factoide para colocar debaixo do tapete as questões que estavam sendo cobradas nas grandes mobilizações sociais, um fato inusitado aconteceu no dia 20 (sexta-feira).

Em reunião da ONU (Organização das Nações Unidas), ocorrida em Genebra, na Suíça, para discutir a espionagem americana em outros países, o Brasil se fez representar por uma diplomata de baixo escalão.

A coisa piorou ainda mais porque durante a reunião essa diplomata foi substituída por uma estagiária. Em uma reunião que o Brasil era um dos principais articuladores, nem o diplomata de baixo escalão falou, nem a a estagiária disse uma palavra.

O Brasil entrou mudo, saiu calado.

Essa briga toda é apenas pra consumo interno, pra matuto ver. O Brasil sabe que não são apenas os Estados Unidos que promovem espionagem, vários países da Europa e Ásia atuam com desenvoltura nessa área. O Brasil só não atua também, e aí concordo com a Veja, porque não tem espiões.

Vamos esperar agora o pronunciamento da presidenta Dilma Rousseff na Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, na próxima terça-feira (24).

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