terça-feira, 22 de outubro de 2013

Anote Brasil: O Analfabetismo e os números

Os números apresentados na última Pesquisa feita pelo IBGE, no ano de 2012, apontando um aumento no número de analfabetos no Brasil, continuam rendendo comentários, análises e, consequentemente, preocupação em quem ver o país de forma séria.

Distante do oba oba oficial, da parafernália em torno do assistencialismo do Bolsa Família, o que se percebe é um país que se sente confortável transitando e convivendo no subdesenvolvimento.

Não temos, de forma eficaz, médicos. Daí importamos eles de Cuba, um país muito menor, mas mais desenvolvido nessa área.

Não temos, de forma eficaz, uma educação pública de base. Criamos projetos mirabolantes, jogamos dinheiro pelo ralo, fazemos propaganda dizendo que vamos eliminar de nosso mapa o analfabetismo. De repente surge a notícia de comprovação esperada: a analfabetismo permanece forte e inapelável, sobretudo em regiões de profundo subdesenvolvimento como é o caso do Nordeste.

Por sugestão do jornalista Tadeu Oliveira estamos publicando sobre o assunto do analfabetismo o artigo de Luiz Gonzaga Bertellli, presidente do Centro de Integração Empresa-Escola, da Academia Paulista de História, e diretor da Fiesp.


O Analfabetismo e os números

Os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgados recentemente, relativos aos dados colhidos em 2012, mostram uma tendência de estabilidade nas taxas de analfabetismo que vinham caindo ano a ano.

Em 2012, 8,7% das pessoas com mais de 15 anos não sabiam ler nem escrever, um índice superior ao registrado em 2011, que marcava 8,6%. O aumento de 0,1% registrado na pesquisa pode ser apenas uma oscilação estatística que não necessariamente demonstre um aumento real no analfabetismo, mas diante dos números anteriores representa, sem dúvida, uma forte estagnação.
Luiz Gonzaga Bertelli

Apesar de a taxa de analfabetos ter caído pela metade nos últimos 20 anos, ainda continua alta, principalmente nas regiões mais carentes do Brasil. No Nordeste, estados como Alagoas (21,8%), Maranhão (20,8%), Piauí (18,8%) e Paraíba (18,6%) continuam com porcentagens altíssimas, o que demonstra ainda um abismo entre os “dois brasis”, se comparado a dados de estados como Santa Catarina (3,1%), São Paulo (3,8%), Rio de Janeiro (3,8%) e Rio Grande do Sul (4,3%).

Colocado lado a lado com dados internacionais, a situação é ainda mais preocupante. Apesar de nossa taxa estar próximo à média da América Latina (9%), estamos bem distantes da vizinha Argentina (2%) e de Cuba (próxima de zero). Em países desenvolvidos como Estados Unidos, Japão e Itália, a taxa é menos de 1%.

Apesar do imbróglio de números, a pesquisa demostra o que já se sabe há anos: o Brasil precisa investir em educação de qualidade e deve-se atentar também para políticas educacionais que envolvam jovens e adultos, já que a taxa de analfabetismo entre os maiores de 25 anos está em torno de 10%.

O CIEE, com experiência de quase 50 anos na inserção de jovens no mercado de trabalho, vem ao longo de 16 anos contribuindo com o Programa CIEE de Alfabetização e Suplência de Jovens e Adultos. Desde 1997, mais de 50 mil pessoas já alcançaram o diploma, melhorando os índices de escolaridade e as condições de as pessoas buscarem, com mais qualificação e habilidades, seu lugar no mercado de trabalho.

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