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Nelson Mandela: maior liderança popular dos tempos contemporâneos

Nelson Mandela, liderança autêntica
Por Isaias Oliveira, Revista Foco/Anote Brasil

Duas afirmações podem significar tentativas de exprimir uma trajetória ímpar no mundo contemporâneo. Trajetória política, social, humana e cidadã.

A primeira delas diz respeito ao marcante acontecimento do dia 10 de maio de 1994, a posse do primeiro presidente negro da África do Sul.

“Nós enfim atingimos a nossa emancipação política. Nunca, nunca e nunca de novo deixemos que essa linda terra experimente a opressão de um pelo outro”, afirmou Nelson Mandela a uma multidão na cidade de Johanesburgo, e a todos os recantos da África e do mundo.

Estava decretado pela força do povo e das ruas o fim do regime de segregação racial do apartheid que governou a África do Sul por 46 anos.

A segunda afirmação foi feita nesta quinta-feira (5) pelo atual presidente da África do Sul, Jacob Zuma, comunicando ao país e ao mundo a morte de Nelson Mandela: “Nosso povo perdeu um pai. Meus amigos sul-africanos, nosso amado Nelson Rolihlahla Mandela, o fundador da nação democrática, foi embora”.

Mandela morreu em sua casa, na companhia de sua família, às 20h50 (horário de Johanesburgo), desta quinta-feira (5).

Sua trajetória política, feita de coragem, persistência e sabedoria, não tem similar nos tempos recentes. Combateu o regime feroz do apartheid, de minoria branca, que oprimia a maioria negra sem medir consequências humanas.

Superou os obstáculos, não se dobrou, nem fez concessões. Seu objetivo era a liberdade da África do Sul, era a autonomia do povo sul-africano em toda sua abrangência.

Preso, não se deixou abater. Manteve-se firme em suas convicções.

Liberto pelo clamor das ruas e do mundo, assumiu nas ruas e nas praças a liderança da grande nação popular.

Vitorioso nas primeiras eleições multirraciais da África do Sul, assumiu a liderança da nação oficial e confirmou o protagonismo da nação popular.

Como presidente da África do Sul não se deixou levar pelo revanchismo político, tratou os brancos como cidadãos da grande nação que começava a ser verdadeiramente construída.

Também não se deixou levar pelas benesses do poder. Sábio, procurou usar o poder para a construção dos alicerces da Nação que sempre sonhou. Nação forte na integração de seu povo, forte no campo social, forte no talento, forte economicamente e, sobretudo, forte na cidadania.

Linha do tempo do líder Nelson Mandela

Mandela nasce na aldeia de Mvezo, na Província de Eastern Cape, no dia 18 de julho de 1918. Filho de um chefe da tribo Tembo, recebeu o nome de Rolihlahla. Passa a ser chamado de Nelson anos mais tarde, em uma escola de religiosos anglicanos.

No ano de 1943 se forma em Direito em Johanesburgo.

Também em 1943 forma a Liga da Juventude do CNA ( Congresso Nacional Africano), com os amigos Oliver Tambo e Walter Sisulu.

No ano de 1944, é eleito secretário-geral do CNA. Casa-se com Evelyn Mase, com quem teve quatro filhos – apenas um continua vivo.

No ano de 1948 , coordena a chamada ‘Campanha de Desafio’, contra o apartheid, durante a qual cerca de 8.500 ativistas são presos.

Em 1956 se divorcia de Evelyn. Em 1958, casa-se novamente, com Winnie Mandela, com quem teve duas filhas: Zenani, atualmente com 50 anos, e Zindzi, com 44.

Em 1958 é preso junto com outros 156 companheiros e acusado de traição.

No ano de 1961 é absolvido da acusação de traição e passa para a clandestinidade.

Em 1962, um ano depois, é preso novamente pela polícia sul-africana.

12 de junho de 1964. Data em que foi condenado a prisão perpétua pela Justiça Sul-africana. Foi para a prisão de Robben Island.

No ano de 1976, dez mil estudantes negros realizam uma passeata pacífica. A polícia reage abrindo fogo contra as pessoas. O massacre deixa 566 mortos.

Em 31 de março de 1982, Mandela é transferido para a prisão de Pollsmoor.

Entre 1984 e 1986 acontecem revoltas contra o apartheid tomando conta da África do Sul. Governo de minoria branca decreta estado de emergência.

Acuado pela mobilização popular, o governo de minoria branca, do presidente Pieter Botha, propõe liberdade condicional. Mandela rejeita a proposta.
Mandela em Harvard, reconhecimento a um Estadista
No ano de 1987, o CNA e ativistas brancos antiapartheid assinam manifesto pela libertação de Mandela.

No dia 11 de fevereiro de 1990, Mandela é libertado. O governo de minoria branca, de Frederik de Klerk anuncia medidas liberalizantes na África do Sul.

O fim do apartheid na África do Sul acontece no dia 17 de novembro de 1993. Neste ano, o prêmio Nobel da Paz é dividido entre Nelson Mandela e Frederik de Klerk.

No dia 27 de abril de 1994, Mandela é eleito o primeiro presidente negro da África do Sul. Ele vence a primeira eleição multirracial do país. Governa a África até 1999.

No ano de 1996 se divorcia de Winnie. Em 1998 se casa com a terceira mulher, Graça Machel.

Também em 1998 faz discurso de grande repercussão na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

No ano de 2004, Mandela anuncia aposentadoria da vida pública.

No dia 11 de julho de 2010, Mandela participa da cerimônia de encerramento da Copa do Mundo da África do Sul. Observa, pessoalmente, que o esforço congregador de sua vida estava mostrando seus frutos.

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