quarta-feira, 30 de julho de 2014

Macaíba: Insegurança pública no município faz crescer evasão escolar

A crescente onda de assaltos e a falta de segurança no município de Macaíba têm contribuído significativamente para o aumento da evasão escolar nas escolas da rede pública.

Em plena luz do dia, os estudantes são vítimas de assaltos e furtos quando se deslocam para as escolas. Os assaltos acontecem em todas as partes do município e nas mais variadas circunstâncias – ida para a Escola, ou vinda da Escola, nos turnos matutino, vespertino e noturno.

Até insignificantes no ponto de vista financeiro, os assaltos e furtos servem para bancar tipos baratos de drogas e, pior ainda, para desmotivar e afugentar adolescentes e jovens da Escola.

Os ladrões não escolhem localização geográfica para realizar os assaltos, tanto faz em escola situada na região central ou como na periferia urbana e rural. Vários pais cuidadosos estão evitando que os filhos sigam sozinhos para a escola por causa da crescente onda de assaltos e do clima de absoluta falta de segurança pública.

Pátio da Escola Doutor Severiano
Cada escola pública da cidade já tem uma história de arrombamento de sua própria estrutura para contar. De acordo com o Sistema de Gerenciamento Educação – SigEduc, somente na rede estadual de ensino são matriculados 5.584 estudantes.

Os dirigentes escolares contam que recursos destinados pelo governo para realização de pequenas obras nas escolas são usados para reposição de produtos roubados. “Ao invés de investir em obras, uso o recurso para comprar o que os ladrões levaram”, disse uma dirigente escolar da rede estadual de ensino.

A mãe de uma adolescente, que não aceitou ser identificada, disse que a filha dela foi assaltada duas vezes neste ano letivo quando se dirigia à escola. “Minha filha perdeu dois celulares, dinheiro e até um par de meias levaram dela”, disse.

Por esse motivo, a estudante tem medo de ir ao colégio sozinha e às vezes perde as aulas quando os pais não têm tempo para levá-la.

Neste mês, uma comissão da Secretaria Estadual de Educação realizou visita de rotina as unidades de ensino pertencentes ao sistema estadual de ensino e constatou também a cruel realidade. “Dentro da realidade, as escolas de Macaíba estão funcionando bem, mas o problema reside no meio do caminho, nas mediações das unidades de ensino: são os constantes assaltos”, disse Danilo Bezerra, da Assessoria de Comunicação Social da SEEC, que acompanhou a equipe durante a visita.

Na Escola Estadual Alfredo Mesquita Filho, onde são matriculados 746 alunos do ensino médio, é de conhecimento de todos que pessoas alheias ficam diariamente nos arredores do colégio com drogas.

Os gestores da “Alfredo Mesquita” reclamam que o transporte escolar não chega ao portão da escola. Sem o ônibus perto da escola, os estudantes caminham mais e correm risco de assaltos ou abordagem de criminosos.

Na Escola Estadual Mariluza Florentino, onde são matriculados 241 alunos do ensino fundamental, a violência faz parte do cotidiano do bairro. A escola já foi arrombada e os ladrões levaram todo sistema de informática. Devido ao roubo, recursos que deveriam ser aplicados em obras na escola, foram investidos na reposição do material de informática e som.

Já na Escola Estadual Doutor Severiano, avaliada como padrão de ensino em Macaíba, a realidade não é tão diferente. No “Comercial”, como também é conhecida a escola, são matriculados 1.136 alunos no ensino médio. A escola tem a modalidade de ensino moderno, em que o MEC aposta na sua eficiência e qualidade, que é o “ensino médio noturno diferenciado”.

Embora tenha uma prática de gestão que possas ser classificada como competente, a Escola Doutor Severiano sobrevive às margens da violência urbana. Por ser central, perto de uma região vulnerável, o relato da clientela é o de sempre. “Saio de minha casa somente com livros e cadernos, não trago celular, bolsas ou outros objetos”, disse a estudante J.M.S, 18 anos, temendo ser vítima de assalto.

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