domingo, 28 de setembro de 2014

Um potiguar no topo da Nanotecnologia mundial

Professor pesquisador Douglas Galvão 
Por Isaias Oliveira
Matéria publicada na edição deste mês da Revista Foco Nordeste

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Um potiguar está no topo das pesquisas de Nanotecnologia no Brasil. O professor Douglas Soares Galvão, 52 anos, é um dos expoentes do assunto e de seu laboratório no Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) atua em segmentos como o dos cilindros microscópicos feitos com carbono, chamados de Nanutubos, que são 100 mil vezes mais finos que um fio de cabelo. Material com forte rigidez e alta condutividade elétrica que promete revolucionar a tecnologia eletrônica nos próximos anos. Os Nanutubos de carbono deverão substituir, em breve, o silício como matéria-prima para a telefonia celular, televisão e computadores em geral.

Douglas Galvão é natural de Currais Novos, formado em Física pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), tem mestrado e doutorado em Física pela Unicamp e pós-doutorado na Bell Communications Reasearch (EUA) e Princeton University (EUA). Atualmente é professor titular do Departamento de Física Aplicada da Unicamp.

O professor Douglas diz que o Brasil tem avançado na Nanotecnologia e que deu um salto também na qualidade da Ciência Básica, mas não está conseguindo transformar isso em riquezas. “Um país que o segundo maior número de patentes vem de uma universidade tem algo errado, isso devia vir da área privada”, argumenta.

Por seu potencial de se fazer presente em várias áreas, a Nanotecnologia cria novos nichos de mercado. A Nanotecnologia brasileira já participa, por exemplo, da economia em geral através de tintas com óxido de titânia (patente da Unicamp), cerâmicas nanoestruturantes (compostas com nanoestruturas que modificam cor e dão mais resistência), e da Siderurgia.

Também já existem no país várias Startups (embriões de empresas costumeiramente voltadas para a tecnologia) buscando produzir produtos envolvendo a Nanotecnologia nas áreas de cosméticos e de diagnósticos médicos com rapidez.

Segundo Douglas Galvão, a Nanotecnologia terá grande presença na economia mundial e também em todos os aspectos da vida das pessoas – se estendendo da ética até a guerra. “A estimativa é que em 2025 já se tenha alguns trilhões de dólares gerados pela Nanotecnologia no mercado mundial”, fala Douglas.

O mundo está investindo na Nanotecnologia, com ênfase para a área militar. O professor Douglas Galvão dá o exemplo da presença do Instituto de Nanotecnologia do Soldado dentro de um dos mais conceituados centros de estudos e pesquisas tecnológicas do mundo – o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), nos Estados Unidos. “Esse instituto pesquisa sobre tudo que se refere ao uso da Nanotecnologia para a área militar, desde conceitos até produtos”, informa Douglas.

A Nanotecnologia

A Nanotecnologia é a tecnologia que faz uso de estruturas com uma das dimensões sendo da ordem de 10 a 100 nanometros (cumprimento, largura ou altura). Um nanômetro é um bilionésimo do metro. O nanômetro pode ser visto por um microscópio eletrônico de última geração (microscópio da ordem de 3 milhões de dólares). No Brasil existem apenas dois desses microscópios no Inmetro do Rio de Janeiro.

Serpentina de nanotubos de carbono
A comunidade científica de Nanotecnologia conta hoje com cerca de 3.000 pesquisadores envolvidos e em atividades em universidades brasileiras. Na Unicamp, o grupo de Nanotecnologia conta com 10 pesquisadores entre alunos, doutores e pós-doutores.

Entre as pesquisas desenvolvidas pelo grupo da Unicamp está o trabalho com as Serpentinas de Carbono. Esse trabalho está sendo feito em cooperação com o Instituto Weimane, de Israel, e tem como co-autor um aluno de mestrado da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN),Leonardo Dantas.

A Serpentina de Carbono, diz o professor Douglas Galvão, permite que se faça nanocontatos com muita eficiência. “Só existem quatro grupos no mundo capazes de fazerem a sintetização da Serpentina”, lembra Douglas.

Outra área de pesquisa do grupo de Nanotecnologia de Douglas Galvão na Unicamp é a que trabalha com o Músculo Artificial, artefato feito em nanotubo de carbono que é 300 vezes mais forte que o músculo humano e capaz de suportar 100 mil vezes mais peso. Essa descoberta, conta Douglas, foi feita pelo grupo da Unicamp em parceria com a Universidade do Texas em Dallas, em 2012.

Esse músculo pode ser colocado externamente como exoesqueleto em pessoas com deficiências físicas. “São músculos muito leves, pesam apenas miligramas. São feitos em carbono e embebidos com parafina”, informa Douglas Galvão.

A geração da força do Músculo Artificial vem da força da contração da fibra. A energia térmica que ele recebe pode ser gerada pela luz solar ou pela energia elétrica.

O professor Douglas Galvão entende que a Nanotecnologia irá se estender por diversas áreas da vida humana e, apesar de já se fazer presente em vários segmentos, ainda tem muito a avançar.

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