segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Robinson Faria é eleito governador e rejeição derruba Henrique Alves

Por Isaias Oliveira
Revista Foco/AnoteRN

Robinson Faria é eleito governador do Rio Grande do Norte com 877.268 votos, 54,42 %, derrotando em segundo turno o deputado Henrique Alves que terminou com 734.801 votos, correspondendo a 45,58%.

A vitória de Robinson Faria neste domingo (26) pode ser vista como produzida por diversos fatores: o alinhamento direto com a candidatura de Dilma Rousseff, a aliança com o PT de Fátima Bezerra, a obstinação de um candidato que sempre acreditou na possibilidade de tornar realidade o sonho de governar seu estado, o apoio tardio da governadora Rosalba Ciarlini, a derrota de uma das principais lideranças adversárias para o Senado, Wilma de Faria, o insucesso de várias candidaturas da coligação adversária. Tudo isso representa apenas aspectos de um intrincado quebra-cabeças bem urdido pelo marketing da campanha do vitorioso Robinson.

Robinson Faria
Entretanto, são apenas peças com significância no tabuleiro eleitoral. O grande fator definidor do resultado das urnas do segundo turno do Rio Grande do Norte para governador passa necessariamente por uma espécie de plebiscito em que o povo, diante de um histórico de rejeição, decidiu se entregava o comando do poder executivo estadual a Henrique Alves ou não.

A rejeição a Henrique Alves (PMDB), propalada ao longo dos anos em prosa e verso, foi colocada novamente à prova em uma campanha majoritária, desta feita para o governo. Nas duas anteriores ele se aventurou a vôos menos ambiciosos e mais seguros, disputou a prefeitura de Natal, quando podia perder e continuar deputado federal. A rejeição a Henrique mostrou sua cara nessa eleição. Ouvimos de pessoas do povo que o candidato nada tinha feito pelo Rio Grande do Norte em seus 44 anos de vida pública.

O desconhecimento dos feitos de Henrique Alves no parlamento federal e a consequente aversão popular antecede ao uso da questão nos programas de seu adversário Robinson Faria. Esse desconhecimento sempre esteve presente na comunidade. Isso abre um outra vertente de análise: se o povo do Rio Grande do Norte desconhece as ações de Henrique como deputado federal, ou seu sistema de comunicação (o mais poderoso do Estado) não teve competência em divulgar, ou não quis divulgar, ou essas ações simplesmente não ocorreram. Quero crer que o deputado Henrique Alves tenha feito algo  pelo Estado nos seus 44 anos de Parlamento.

Devido a desconfiança de sua própria fragilidade, Henrique Alves tratou de mobilizar uma aliança política que contasse com a grande maioria da classe política e as principais lideranças do Estado. Dessa forma, garantiu a presença de Wilma de Faria (PSB) como candidata a senadora, o deputado João Maia (PR) como candidato a vice, o apoio do senador José Agripino e seu partido, o DEM, o apoio do presidente da Assembleia Legislativa e seu partido, o PROS, e de um amplo leque de outros partidos. 

Henrique Alves
Henrique também se articulou para não ter adversário de peso na disputa pelo governo. Com a decisão tomada pelo diretório do DEM, a governadora Rosalba Ciarlini teve negada uma candidatura a reeleição. O caminho estava aberto para Henrique Alves chegar ao governo do Rio Grande do Norte, apenas o atual vice-governador Robinson Faria (PSD) mantinha uma candidatura sem maiores perspectivas.

A solidão política de Robinson, contudo, foi superada com uma aliança com o PT da candidata ao Senado, Fátima Bezerra. Henrique viu isso acontecer, mas acreditou na força de seu verdadeiro timaço de lideranças. Essa crença se revelou um enorme equívoco, a aliança deu mais do que gás a Robinson, deu militância e acesso à juventude universitária. Deu também o alinhamento direto e legítimo ao governo petista de Dilma Rousseff, responsável por programas como o Bolsa Família, o ProUni e Minha Casa, Minha Vida. Alinhamento que  findou valendo para outras obras do governo federal no RN, várias delas com paternidade também requisitada pelo próprio Henrique Alves.

A força política de Wilma de Faria se revelou superestimada logo nas primeiras pesquisas. Com discurso antigo e pouca capacidade para mobilização, Wilma não foi páreo para a deputada petista Fátima Bezerra. O primeiro turno terminou com gosto amargo para Henrique Alves, mesmo vitorioso, viu sua mais forte aliada, Wilma de Faria ser derrotada fragorosamente para o Senado. Para completar, Henrique também acompanhou no primeiro turno as derrotas nefastas para os seus planos em Mossoró - perderam a deputada estadual Larissa Rosado, a deputada federal Sandra Rosado, a candidata a deputada federal, Fafá Rosado e o deputado estadual Leonardo Nogueira, e em Caicó - perdeu o deputado estadual Vivaldo Costa.

Enquanto Henrique Alves tinha que enfrentar um segundo turno com a companhia de vários derrotados de peso, Robinson já tinha o que comemorar no próprio dia da apuração do primeiro turno, a vitória de Fátima Bezerra para o Senado.

Começava a desmoronar o intrincado jogo montado por Henrique Alves. Com importantes companheiros de coligação descredenciados pelas urnas, Henrique viu o sonho de chegar ao governo começar a fazer água. Sua campanha começou o segundo turno de forma apática e, apesar dos esforços, terminou de maneira apática. Apatia que também o acompanhou e se fez presente em seus programas eleitorais de televisão.

Henrique Alves, mais uma vez, simplesmente não conseguiu entrar nas casas das pessoas. Não conseguiu conversar, ficou no território do discurso, mas sem ânimo e sem convicção. Não conseguiu entrar nas casas das pessoas através de sua mensagem, de seu discurso, e também literalmente. Apenas se limitou a andar nas ruas e acenar para pessoas que, embora desejosas de saber mais do candidato, findaram mantendo o histórico desconhecimento.

Os números da vitória de Robinson em Mossoró e na Grande Natal

Robinson Faria ganhou em Macaíba com 53,29%, 17.790 votos, contra 46,71%, 15.593 votos de Henrique Alves. Venceu em Natal com 52,02%, 175.433 votos, enquanto Henrique obteve 47,98%, 161.808 votos. Robinson ganhou em Mossoró  com 71,66%, 79.619 votos, enquanto Henrique alcançou apenas 28,34%, 31.484 votos. 

Robinson venceu em Parnamirim cm 57,76%, 43.918 votos, contra 42,24%, 32.120 votos dados a Henrique Alves.  Ganhou em Extremoz com 54,20%, 7.751 votos, enquanto Henrique obteve 45,80%, 6.550 votos. No município de São Gonçalo do Amarante venceu Henrique Alves com 51,46%, 22.007 votos, Robinson Faria obteve 48,54%, 20.757 votos. 

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