quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

A Escola do Conhecimento e os 50 anos de formação dos primeiros engenheiros no RN

Isaias Oliveira
Matéria publicada na edição de dezembro da Revista Foco

A história da Engenharia do Rio Grande do Norte e da própria capacidade do Estado produzir conhecimento científico tecnológico está vinculada à criação e implantação de uma escola em Natal no ano de 1959, mais precisamente no dia 15 de dezembro. Naquele dia surgia a Escola de Engenharia do Rio Grande do Norte. No ano seguinte,1960, ingressava na Escola de Engenharia a primeira turma composta por 07 alunos aprovados em um vestibular que oferecia 12 vagas e teve 45 candidatos.

Turma de 07 alunos que teve aula inaugural no dia 16 de março de 1960, proferida pelo professor Juarez Pascoal de Azevedo sobre o tema “Formação do Engenheiro. Os mesmos 07 alunos que foram os primeiros a concluírem o curso de Engenharia Civil no Rio Grande do Norte e participaram da solenidade de formatura no dia 11 de dezembro de 1964, que também é Dia do Engenheiro, tendo como paraninfo o professor Nilson Rocha de Oliveira (irmão do empresário Nevaldo Rocha).

Formatura dos primeiros engenheiros do RN
A formatura histórica da primeira turma da Engenharia no Rio Grande do Norte chega neste mês de dezembro ao seu 50º aniversário. Turma composta pelos engenheiros Evandro da Costa Ferreira, José Ivaldo Borges, Jário Pereira Pinto, Joaquim Elias de Freitas, Liacir dos Santos Lucena, Romeu Gomes Soares e Walter Araújo.

Estava se tornando realidade o sonho de vários entusiastas pelo conhecimento e pelo verdadeiro desenvolvimento que apenas o saber e a ciência têm a condição de produzir. Entre esses entusiastas estavam Fernando Cysneiros, Juarez Azevedo, José Bittencourt, Dirceu Victor de Hollanda, Milton Dantas de Medeiros, Geraldo Pinho Pessoa, Gilvan Trigueiro, José Bartolomeu, Malef Victorio, José Antomar Ferreira de Souza, Marcelo Cabral, Wilson Miranda, Clóvis Gonçalves dos Santos, Nilson Rocha.

Grupo que mobilizou e articulou pessoas da comunidade norteriograndense e autoridades públicas, dentre elas o então governador Dinarte Mariz, para a luta de concretização de uma escola de engenharia no Estado como forma fundamental de alavancar o desenvolvimento científico e o progresso social e econômico. A Escola de Engenharia foi fundada como integrante da Universidade do Rio Grande do Norte que, ainda no ano de 1960, foi federalizada se transformando na Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Eram tempos de precariedade na esfera do Ensino Superior no Rio Grande do Norte - só existiam as faculdades de Odontologia e de Farmácia. As obras estruturais do Estado eram tocadas por engenheiros formados em Pernambuco ou na Bahia. Para algum jovem do Rio Grande do Norte se aventurar em busca de uma formação em Engenharia Civil tinha que vir de família endinheirada. Com a implantação da Escola de Engenharia em Natal isso foi ficando para trás. “Foi fundamental a abertura do curso aqui. Eu mesmo não tinha a menor condição de cursar Engenharia em Pernambuco”, recorda José Ivaldo Borges, membro da primeira turma de engenheiros formada no Estado.

Implantada, a Escola teve que também superar a descrença provinciana sobre sua capacidade de formar em solo do Rio Grande do Norte profissionais realmente capacitados para o exercício da Engenharia. Isso foi vencido pela constatação prática da qualidade da formação sólida oferecida na nova escola, formação que seguia o modelo da escola de engenharia de Pernambuco, com forte ênfase na Matemática e na Física.

A Escola de Engenharia já começou forte, com um time de professores de alto nível, vários deles vindos da Escola de Engenharia de Pernambuco, a então melhor do Nordeste. Era avançada para sua época, já naquele tempo, contratou dois professores diretamente do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), Raimundo Alberto Normando e Fernando Antonio da Nóbrega, em regime de dedicação exclusiva, quando era praxe a contratação de professores universitários em regime de 12 horas semanais.

Primeira sede da Escola de Engenharia
A Escola começou em um sobrado na Avenida Junqueira Aires, na Cidade Alta. Um ano depois, em 1961, foi transferida para prédio na Rua Mipibu, nas proximidades da Academia Norteriograndense de Letras, no bairro de Petrópolis. No ano de 1986 foi novamente transferida para o local onde funcionava o antigo Clube Hípico e hoje é a Funpec (Fundação Norte-rio-grandense de Pesquisa e Cultura) e o Departamento de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do norte (UFRN).

Graças à preocupação com a formação básica sólida, a Escola de Engenharia pode ser considerada o berço de toda área científica e tecnológica da universidade (UFRN). Ela é a matriz que propiciou o crescimento tecnológico e científico do Estado com desdobramentos concretos na formação de profissionais qualificados. 

Professor emérito da UFRN e um dos mais respeitados pesquisadores em Física do país, Liacir dos Santos Lucena, membro da primeira turma de engenheiros do Rio Grande do Norte, diz que a Escola procurou ir além da própria Engenharia, se preocupando com o sólido ensino de Ciências, Matemática e Física. “Da Escola de Engenharia surgiram os embriões do Instituto de Física, do Instituto de Matemática, e da computação da universidade (UFRN). Surgiram também vários cursos da área tecnológica como Engenharia de Automação e Controle, Engenharia de Robótica, Engenharia Biomédica, Engenharia do Petróleo, Engenharia Têxtil, Engenharia da Produção, Engenharia de Materiais. São mais de 20 áreas de engenharias”, destaca Liacir Lucena.

Viagem no tempo

Passados 50 anos da formação da primeira turma da Escola de Engenharia, e observados os avanços ocorridos em termos de conhecimento no Rio Grande do Norte, vale seguir os passos dos 07 primeiros engenheiros em uma viagem no tempo que, para alguns, chega até o dia de hoje, e também relembrar os nomes dos professores que garantiram a qualidade exitosa de ensino.

Walter Araújo, primeiro lugar do curso, sergipano, irmão marista, atuou como engenheiro do Banco do Brasil e empresário. Romeu Gomes Soares, baiano, atuou como engenheiro do DNER, do DER, e engenheiro e sócio da EIT (Empresa Industrial Técnica). Jário Pereira Pinto, atuou como engenheiro da Rede Ferroviária Federal, na qual chegou a ocupar os cargos de diretor no Rio Grande do Norte e em Pernambuco.

Liacir dos Santos Lucena, professor emérito da UFRN, onde atua desde o ano de 1965. Tem mestrado em Ciências na PUC-RJ e PhD (doutorado) em Física na Universidade de Boston (EUA). Participou da criação do Instituto de Física (atual Departamento de Física Teórica e Experimental) e do curso de Doutorado em Física da UFRN. Foi pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UFRN. Continua desenvolvendo atividades de pesquisador Nível I do CNPq e de professor dos cursos de Pós-Graduação em Física da UFRN. Coordena projetos de pesquisa em Física do Petróleo e é também membro da Ordem Nacional do Mérito Científico.
Comemorando 10 anos de formatura

José Ivaldo Borges, atuou como engenheiro do Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra a Seca), trabalhou na EIT, com destaques para as construções da BR-304 e do aeroporto de Mossoró. Foi também engenheiro da Telern, na qual exerceu cargos de chefe de distritos e do Departamento de Controle Operacional, e implantou e chefiou o Departamento de Planejamento. É também formado em Economia pela UFRN. Evandro Costa Ferreira, atuou como engenheiro do DER, no qual se aposentou. Especialista de Mecânica dos Solos, atuou como professor do Departamento de Engenharia Civil da UFRN, e obteve ainda mestrado em Geotecnia na Ohio State University, EUA.

Joaquim Elias de Freitas, professor emérito da UFRN. Além de formado em Engenharia Civil, tem mestrado em Matemática pela UFC (Universidade Federal do Ceará), e em Informática pela PUC-RJ, e doutorado em Física pela UFRN. Participou da criação do Instituto de Matemática e da implantação do primeiro centro de computação da UFRN. Foi empresário do setor de computação no RN como sócio da empresa Sistema. É atualmente professor do Departamento de Matemática da UFRN.

Os professores que marcaram época e são parte da história da chegada do conhecimento científico tecnológico ao Rio Grande do Norte pelas portas da Escola de Engenharia são Juarez Azevedo, José Henriques Bittencourt, Geraldo Pinho Pessoa, Nilson Rocha, Dirceu Victor de Hollanda, Milton Duarte de Medeiros, Clóvis Gonçalves dos Santos.

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