domingo, 21 de junho de 2015

Agnelo Alves: o Jornalismo instigante e inteligente

Agnelo Alves sempre foi um jornalista irreverente, desejoso de informação e inteligente. Esta é a dedução que faço das palavras que li na tarde deste domingo (21) escritas pelo jornalista Osni Damásio, que trabalhou com Agnelo na TV Cabugi e fez parte de seu círculo de amizade.

Agnelo Alves
Dedução que me leva a ver Agnelo Alves como um jornalista que não se submeteu a nenhum tipo de quadramento ou enquadramento, seu jornalismo, longe de ser academicista burocrático, era vivo, audaz, catedrático no improviso, hábil na ironia, sintonizado no contexto da vida real, e inteligente.

Ler o que escrevia na Tribuna do Norte, ao lado de nome como Dorian Jorge Freire e Woden Madruga, sempre foi um convite a fazer Jornalismo. Jornalismo que não cabe em formatação de bancos acadêmicos, mas que se manifesta pelo talento de comunicar, de contar uma história, de opinar sobre o fato que está se inserindo na história. Jornalismo que está longe de ser “bonzinho”, bem comportado, mas que é vivo, instigante e questionador.

Jornalismo de Agnelo que está se tornando raridade em um Estado que já é órfão de muita coisa. O enquadramento academicista que costumeiramente leva em conta apenas o medianismo padronizado inibe o surgimento de novos talentos. O timaço que trazia gosto à leitura dos jornais locais – Agnelo Alves, Cassiano Arruda Câmara, Woden Madruga, Vicente Serejo, Paulo Tarcísio Cavalcanti, Everaldo Gomes da Porciúncula, Jaime Hipólito Dantas, já está ficando escasso e não tem substitutos à altura na praça.

A capacidade de improviso, a inteligência e a irreverência de Agnelo também deram vida ao mais bem sucedido programa político radiofônico da história do Rio Grande do Norte – o Panorama Político da Rádio Cabugi. O Panorama Político de uma época em que Agnelo tinha como companheiros de microfone Woden Madruga, Rogério Cadengue e Dorian Jorge Freire. Acima de qualquer concordância com as posições políticas externadas no programa, o que mais chamava a atenção era a capacidade de comunicação de Agnelo e de seus comentaristas convidados.

Agnelo Alves manteve-se sempre jornalista mesmo atuando na política. E foi nessa condição que deu entrevistas a Revista Foco como prefeito de Parnamirim e depois como deputado estadual. Nas duas entrevistas observamos um Agnelo que se emocionava quando falava do que eram realmente seus dois projetos maiores de vida nos últimos anos: o município de Parnamirim e a liderança de seu filho, Carlos Eduardo Alves, em Natal.

Agnelo Alves faleceu na tarde deste domingo (21) no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, aos 83 anos, vítima de agravamento em infecção respiratória.

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