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Educação do RN: Centrinho trabalha inclusão com a formação de novos talentos artísticos

Francisco Assis: criatividade na inclusão social 
(foto: Danilo Bezerra)
Leia também com tradução completa em Inglês

O Centrinho, Centro de Educação Especial da SEEC/RN, é uma das estruturas diferenciadas dentro do ensino público. Localizado dentro do Centro Administrativo do Governo do Estado, em Natal, o Centrinho atende diariamente a 386 alunos com deficiências especiais sempre no contraturno das escolas comuns. É ele que tem a tarefa de estimular os estudantes com deficiências para a educação por meio de estratégias de ensino que priorizam a inclusão social.

Entre as estratégias de inclusão tem destaque a arte-educação. Liderando uma sala diferenciada e aberta ao talento, o professor Francisco Assis Souza Filho, arte-educador com 30 anos de profissão, 10 deles no Centrinho, atua no estímulo à criatividade e no fortalecimento da autoconfiança do aluno. 

Assis Souza trabalha com alunos com deficiências intelectuais e autistas. Trabalha com desenho, pintura, escultura. Utiliza giz de cera, lápis de cor, colagens, dobradura de papel (origame). Em seu trabalho necessita também de materiais como papel para desenho, pastel e tinta guache. Tudo pode acontecer em termos de criação próprias do talento humano na sala retangular nas dependências do Centrinho. Sala que não se enquadra no modelo burocrático vigente na educação convencional, e que estabelece um cenário apropriado para que o talento avance, prevaleça e seja compartilhado entre alunos e professor. “Sinto-me feliz por ter ajudado na descoberta do potencial de vários alunos para as artes”, diz Francisco Assis Souza.

Natural de Areia Branca, região salineira do RN, Francisco Assis Souza Filho, 59 anos, foi professor da UnP (Universidade Potiguar) por 10 anos, professor substituto da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), e já ganhou vários concursos de arte no plano local e um em nível nacional, o da Fasubra (Federação das Associações dos Servidores das Universidades Brasileiras).

O próprio Francisco Assis Souza é detentor de uma grande capacidade criativa. Entre os concursos que ganhou no Rio Grande do Norte está o Adrahan Palatinick, no qual foi o primeiro lugar com a escultura de um cristo. Na sala nada convencional do Centrinho se encontra um robô que já tem mais de 20 anos, feito por Assis Souza, inteiramente de material reciclado como cartuchos usados de impressoras, peças de máquinas de escrever, peças de computadores, bobinas, joystick de vídeo game, etc. Robô que, pelo visto, permanece em processo de permanente aperfeiçoamento.

Assis Souza tem centenas de projetos criativos como caleidoscópios de diferentes formatos de material reciclado, brinquedos, jogos infantis, ampulhetas, esculturas abstratas feitas com travessas de alumínio, etc. É também um inventor, criou no ano de 1986 uma máquina chamada de Visarte que facilita qualquer leigo a desenvolver o desenho por observação. É autodidata no ensino das artes orientais do origame (dobradura de papel) e kirigame (corte de papel).

“Sou feliz pela condição que tenho de fazer algo para elevar a auto-estima de muitos alunos. Cícero, por exemplo, se acha um artista, e é, com capacidade para competir com qualquer outro no Estado”, ressalta Francisco Assis Souza.

Cícero Grino, 40 anos, morador no bairro de Nova Natal, zona norte da Capital, é um dos principais destaques surgidos na sala de arte-educação do Centrinho. Cícero Grino é o nome artístico de Cícero Silva. O Grino, criação do próprio Cícero é o nome de um artista da Grécia antiga, mas a explicação que ele tem é que é que se trata da mistura de grilo com dinossauro. Cícero Grino tem deficiências intelectuais e muitas vezes piora e falta muitos dias, quando retorna tem esquecido tudo, até mesmo como segurar o lápis e o pincel, e passa por um novo reensino até retomar a condição de produzir belíssimos quadros. Ele tem um grande talento para o desenho e para a pintura, e o professor Assis Souza pensa em montar uma exposição de sua obra, mas o apoio público para isso ainda é incipiente.

O Centrinho, ambiente referência na educação especial do Estado, funciona na estrutura feita originariamente para abrigar os trabalhadores e a coordenação da obra de engenharia que construiu o Centro Administrativo do Governo do RN, no bairro de Lagoa Nova, em Natal. Hoje, tem a direção da professora Inês Albano e atende a alunos com deficiências especiais nos turnos matutino e vespertino, e conta com 56 professores, entre psicopedagogos, arte-educadores, pedagogos, alfabetizadores, psicólogos, fonoaudiólogos, e especialistas em artes visuais, dança, música e prática esportiva.

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