domingo, 18 de dezembro de 2016

A terra de Macau: Diogo Lopes, melhor lugar para viver

Por  Tadeu Oliveira

Eu morei no distrito de Diogo Lopes, município de Macau. Fui para lá por causa de suspeita de Coqueluche, uma doença respiratória que atacou crianças na década 60 na região salineira. Virou epidemia em Macau, as crianças eram imunizadas e saiam da cidade em busca de um ambiente mais sadio.

Segundo os especialistas, Coqueluche é uma moléstia infectocontagiosa aguda do trato respiratório transmitida pela bactéria Bordetella pertussis. O contágio se dá pelo contato direto com a pessoa infectada ou por gotículas eliminadas pelo doente ao tossir, espirrar ou falar. A infecção pode ocorrer em qualquer época do ano e em qualquer fase da vida, mas acomete especialmente às crianças menores de dois anos.

Diogo Lopes (Foto Getúlio Moura)
Eu estava com essa idade. Medicado por “Doutor Nagib” e orientado pela a eficiência do enfermeiro “João Neblina”, minha família foi obrigada a se mudar de ambiente, sair do setor urbano Macau para uma área tropical. Esse lugar, ideal para curar a doença, estava bem perto da quente Macau, a praia de Diogo Lopes, logo após a Praia de Barreiras.

Em Diogo Lopes, seguindo a orientação medicinal de João Neblina, eu tive que tomar diariamente, pela manhã e à noite, uma colher de lambedor feito da planta “Coroa de Frade”, não havia outra indicação de remédio.

O fruto da Coroa de Frade, um cacto de formato arredondado cheio de espinhos, se podia encontrar em uma área preservada de dunas nas proximidades. Eu mesmo ia buscar, antes as 6 horas da manhã, correndo na areia fria.

Na realidade, em Diogo Lopes fiquei curado mesmo foi pelo que a praia oferecia, sempre à minha disposição, sempre presente com o ar medicinal e puro.

Siri, caranguejo, aratu, lagosta e espécies de peixes como o avoador e carapeba faziam parte do meu cotidiano, tanto pelas manhãs como nos finais de tarde. O sol era o melhor alimento e a lua um acalento, eu dormia sem reclamar da gripe.

O Rio Grande do Norte precisa conhecer Diogo Lopes, chegar próximo dos seus segredos e mistérios. É lugar pra se ir e manter intimidade com a natureza, se não é chover no molhado.

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