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RN: Professor de escola pública impulsiona ensino de matemática

Estudantes no laboratório de Matemática
A Matemática é com sobra matéria essencial para a formação do estudante e para seu futuro em um mercado de trabalho cada vez mais competiltivo e de catáter técnico. É também a matéria vista como a mais difícil pela maioria dos alunos. Consciente disso, o professor Marcelo Lemos, da Escola Estadual Desembargador Licurgo Nunes, de Marcelino Vieira, Alto Oeste do Rio Grande do Norte, criou o projeto "Laboratório de Matemática Josefa Lúcia Rodrigues Cesário" e passou a trabalhar com os alunos temas relacionados à matemática de forma prática e inovadora.

Os alunos que participam do projeto, que são da 3ª série do Ensino Médio, têm a condição de aplicarem conhecimentos teóricos diretos nos desenvolvimetno de materiais e objetos, desde jogos de quebra-cabeça que envolvem números e lógica até equipamentos eletrônicos.

Criado em 2013, o laboratório surgiu de uma necessidade identificada pelo professor Marcelo, que não via em sua rotina muitas opções de materiais didáticos atrativos aos alunos. Ele explica ainda que o laboratório foi batizado em homenagem à uma antiga professora, que o incentivou a gostar da área da matemática. No âmbito do laboratório, os estudantes dividem-se em grupos e trabalham o tema sugerido pelo professor, que a cada ano indica uma temática diferente que envolva matemática.

A iniciativa deu tão certo que os trabalhos realizados pelos alunos foram ganhando destaque na unidade de ensino, até que o grupo envolvido no laboratório, junto ao professor, resolveu criar uma “Mostra de Matemática” na escola Desembargador Licurgo Nunes, para a exposição dos trabalhos feitos.

“A ideia inicial era desenvolver materiais para se trabalhar matemática. Mas, produzir materiais não era o suficiente, o aluno deveria ser o protagonista. Então tive a ideia de transformar esses trabalhos em projetos e expor na ‘Mostra Matemática’. Hoje nós temos um acervo de mais de 1000 trabalhos em exposição, entre jogos de lógica, projetos envolvendo conceitos de física, desafios, réplicas em escalas de grandes invenções do passado, materiais para se trabalhar em sala de aula e muitos outros”.

Aplicabilidade social

Dentre os trabalhos desenvolvidos ao longo do projeto a grande maioria é formada de materiais lúdicos, como jogos que envolvem raciocínio lógico e quebra-cabeças. Diante disso, o grupo de alunos resolveu abrir as portas do laboratório e convidar a comunidade local para conhecer e utilizar as produções.

“Dentre os materiais que a gente desenvolve para trabalhar temos muitos trabalhos lúdicos, como jogos de lógica. Então, junto com os alunos, convidamos os idosos da comunidade e, todas as terças-feiras, a gente propõe com eles desafios como o de quebra-cabeças e jogos de memória, tudo para que eles possam desenvolver as capacidades cognitivas e exercitarem a memória. Com isso, a ideia é que esses materiais não fiquem somente para o meio acadêmico. Dessa forma, pensamos no bem-estar da comunidade, porque não adianta ter um laboratório equipado se não damos um uso social para isso”, explica o professor.

Para a aluna voluntária no projeto, Amanda Monique, 18 anos, participar do Laboratório constitui-se em uma “experiência extremamente gratificante”, pois lhe confere a oportunidade de desprender-se dos componentes curriculares padrões e apreender os conteúdos didáticos de forma inovadora.

“Enquanto estudante é muito gratificante poder participar de um projeto tão importante no qual nós alunos de rede pública temos a oportunidade de aprender bem mais do que nossa grade curricular nos permite. Eu me sinto lisonjeada em poder mostrar o que já sei e aprender com o nosso professor que deposita em nós confiança”, disse a aluna.

Resultados

Marcelo explica que, apesar do projeto não contar com nenhuma colaboração externa e ser executado integralmente por voluntários, o Laboratório já alcançou resultados significativos, como é o caso das últimas avaliações do Sistema Integrado de Monitoramento e Avaliação Institucional (Simais), avaliação realizada periodicamente pelo Governo do Estado do RN que permite a elaboração de um panorama do ensino estadual.

“Nossa escola vem sempre ultrapassando as metas estabelecidas pelo Simais. A Desembargador Licurgo Nunes, desde 2016, vem aparecendo sempre acima dessa meta e, nesses últimos anos tivemos um aumento significativo no número de aprovações no ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio)”, detalha o professor.

Oportunidade

Para Marcelo, que é professor de matemática há 16 anos, o laboratório é uma oportunidade para os alunos conhecerem outros campos do saber e não permanecerem limitados aos conteúdos dos livros didáticos. Ainda de acordo com o professor, a educação se refere à uma forma de mudar as realidades.

“A educação é o único ‘caminho sólido’ para o desenvolvimento de um indivíduo e de uma nação. O papel do educador é dar suporte e condições aos seus alunos, além de mostrar caminhos a serem trilhados. Não é dizer o que deve ser feito, mas mostrar o que o que ele ganha e o que perde, com e sem, a educação. O professor é a maior arma contra esse sistema opressor que ainda separa os indivíduos por classe social”, afirma o educador.

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